Lodo verde dá sinal vermelho para contaminação radioativa

Resíduos perigosos podem ser capturados e contidos por um tipo específico de “gosma verde” que ocorre naturalmente em água pobre em oxigênio.

taniager

17 Março 2011 | 17h27

Químicos da Universidade de Copenhague demonstraram que a ferrugem verde é capaz de capturar e armazenar praticamente qualquer tipo de poluição no solo devido à sua extrema reatividade química. Crédito: Bo C. Christiansen/Universidade de Copenhague – centro de Nanociência.

Químicos da Universidade de Copenhague demonstraram que a ferrugem verde é capaz de capturar e armazenar praticamente qualquer tipo de poluição no solo devido à sua extrema reatividade química. Crédito: Bo C. Christiansen/Universidade de Copenhague – centro de Nanociência.

O lixo radioativo tem sido armazenado em cápsulas de concreto armado e enterrado em local seguro, onde deve permanecer por milhões de anos até seu completo decaimento, quando então se estabiliza. O elemento netúnio, produto residual de reatores de urânio, pode representar um grave risco para a saúde caso escoe para o curso das águas subterrâneas, risco com duração de até cinco milhões de anos após sua deposição. O desafio tem sido encontrar novas formas que impeçam a contaminação radioativa e métodos de encapsulamento mais seguros.

Agora, pesquisadores da Universidade de Copenhague mostraram que esses resíduos perigosos podem ser capturados e contidos por um tipo específico de “gosma verde” que ocorre naturalmente em água pobre em oxigênio. O artigo sobre o estudo é de autoria do geoquímico Bo C. Christiansen e foi publicado na revista Geochimica et Cosmochimica Acta recentemente.

Durante anos, os cientistas de materiais lutaram contra o lodo, ou ferrugem verde, que se formava em concreto armado. Nos últimos anos, porém, uma equipe de químicos, físicos e geólogos do Grupo de Pesquisa em Nano Geociência do Departamento de Química da referida universidade estudaram as propriedades benéficas da substância. Os resultados superaram todas as expectativas.

O lodo verde é um tipo de barro conhecido como uma argila aniônica. Por consistir de ferro que não foi totalmente oxidado, tem um défice de elétrons. Isso facilita a reação com outros poluentes, alguns dos quais são bastante frequentes. Christiansen exemplifica com o cromo cancerígeno que, submetido ao lodo verde, converte-se em cromo não tóxico necessário ao corpo humano.

Grandes quantidades de lodo verde raramente estão presentes em qualquer momento devido a sua elevada reatividade. Por outro lado, é fácil de fazer. A ferrugem verde se formará se o sulfato de ferro e a soda cáustica estiverem presentes na água. Mas não dura muito tempo. Assim que o oxigênio é adicionado à mistura, este lodo se transforma em ferrugem vermelha comum, conhecida por sua característica ocre.

Normalmente, resíduos radioativos são descartados em vasilhas de cobre revestidas de ferro. Isso é adequado, enquanto as vasilhas estiverem mergulhadas em água. No entanto, qualquer futura idade do gelo puxará os níveis de água para baixo, o cobre secará e começará a se decompor. E enquanto o cobre desaparece, levará apenas um curto período de tempo para o ferro começar a enferrujar. Em última análise, os resíduos radioativos ganham a entrada para as águas subterrâneas. Portanto, para garantir a segurança de resíduos radioativos, a ferrugem verde poderia ser posta em torno das vasilhas.

Experiências demonstrando a capacidade da ferrugem verde para imobilizar o netúnio também foram conduzidas em parte na SKB, centro de pesquisa nuclear sueco, e no Instituto de Tecnologia de Karlsruhe na Alemanha.

Risk to health: green slime gives red signal to radioactive contamination