Parte do sistema imunológico das pessoas pode ajudar vírus da dengue

Trabalho desenvolvido por pesquisadores do Reino Unido revela por que pessoas infectadas pela segunda vez apresentam sintomas graves.

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07 Maio 2010 | 11h03

Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente, em mais de 100 países, de todos os continentes, exceto a Europa. Crédito: Imperial College London.

Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente, em mais de 100 países, de todos os continentes, exceto a Europa. Crédito: Imperial College London.

O sistema imunológico de algumas pessoas pode ajudar o vírus da dengue a se disseminar no corpo, ao invés de combatê-lo. É o que pesquisadores do Imperial College London, no Reino Unido, descobriram. Os resultados da pesquisa podem levar ao desenvolvimento de uma vacina contra a dengue. O trabalho, publicado na Science, também revela por que pessoas infectadas pela segunda vez apresentam sintomas severos e perigosos.

A dengue é transmitida quando o mosquisto Aedes Aegypti pica o ser humano. Os sintomas incluem febre, dores pelo corpo e vômitos. O vírus também pode causar febre hemorrágica, que pode ser fatal em muitos casos. Há quatro tipos distintos de vírus da dengue e nenhuma vacina ou droga realmente eficaz foi desenvolvida para tratamento ou prevenção.

O estudo sugere que quando uma pessoa é infectada com uma cepa do vírus da dengue e, depois, infectada por outra cepa, anticorpos pRM começam a atuar novamente dando suporte aos invasores, ao invés de combatê-los. Essa atividade explicaria por que uma segunda infecção pode causar mais danos do que a primeira.

Seguindo esta ideia, vacinas produzidas com anticorpos prM poderiam levar a problemas similares no organismo – promovendo o auxílio dos vírus.

“Uma grande parte da população mundial está em risco de contrair a dengue hemorrágica e, embora tratamentos tenham evoluído, pode ser bem desagradável, dolorosa e pessoas continuam morrendo por causa disso”, diz Gavin Screaton, autor do estudo e chefe do Departamento de Medicina da Imperial College London. “A nossa pesquisa nos dá informações chave sobre isso e o que não parece funcionar no combate ao vírus. Esperamos que nossas descobertas levem os cientistas a um passo da criação de vacinas efetivas”.

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