Partículas vazias derivadas de vírus podem exterminar células doentes

Pesquisadores conseguiram fazer com que nanorecipientes pudessem ser conduzidos por moléculas guias grudadas em suas superfícies externas.

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10 Março 2010 | 12h15

Pesquisadores esvaziaram o vírus Cowpea mosaic para funcionar como um

Pesquisadores esvaziaram o vírus Cowpea mosaic para funcionar como um "robô", entregando remédios para células doentes no corpo.

E se fosse possível chegar até nossas células doentes através de um microrobô inserido no organismo com a missão de exterminar a doença? A nanomedicina parece estar chegando mais perto deste sonho. Pela primeira vez, cientistas conseguiram cultivar partículas vazias, derivadas de um vírus de plantas, para carregar produtos químicos úteis pelo corpo.

Pesquisadores do John Innes Centre, do instituto Biotechnology and Biological Sciences Research Council, no Reino Unido, conseguiram fazer com que nanorecipientes pudessem ser conduzidos por moléculas guias grudadas em suas superfícies externas para células doentes do corpo.Os recipientes são partículas do vírus Cowpea mosaic, que é ideal para a concepção de biomaterial em nanoescala.

Anteriormente, cientistas já tinham tentado retirar material genético de um vírus para esvaziá-lo através da irradiação e tratamento químico. Apesar de ter funcionado em partículas não-infecciosas, o processo ainda não tinha esvaziado completamente partículas virais.

Mas, agora, os pesquisadores descobriram que poderiam produzir partículas vazias a partir de precursores nas plantas e, em seguida, extraí-los para inserir produtos químicos convenientes. “Agora nós podemos carregá-las, também, como recipientes de produtos químicos”, observa o Dave Evans, autor da pesquisa.

Como a tecnologia é nova, não se sabe ainda como poderá ser aplicada. De qualquer maneira, deve ser uma promessa consistente no tratamento do câncer. As integrinas, moléculas de adesão celular, estão presentes nas células cancerosas. As partículas de vírus poderiam ser revestidas externamente com peptídeos que se ligam a integrinas, liberando um agente anticancerígeno ao entrar em contato com a célula doente – deixando o resto do organismo, saudável, intacto.

As partículas virais vazias, sua utilização e os processos pelos quais funcionam serão patenteados. A gestão e a comercialização da tecnologia ainda serão definidas.

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