Meditação induz cérebro a não gastar tempo antecipando dor

Atividade incomum em antecipação à dor no córtex pré-frontal foi observada por pesquisadores em quem pratica a meditação há anos.

root

02 Junho 2010 | 15h39

Atividade incomum em antecipação à dor no córtex pré-frontal foi observada em pessoas que praticam a meditação há anos.

Atividade incomum em antecipação à dor no córtex pré-frontal foi observada em pessoas que praticam a meditação há anos.

Meditar para acalmar. Meditar para não sofrer com antecedência. Meditar para não sentir dor. É o que pesquisadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido, estão mostrando: quem pratica a técnica sente menos os efeitos negativos de uma circunstância adversa – seja ela física ou emocional – porque a mente, “focada”, gasta menos tempo antecipando a experiência dolorosa.

Os pesquisadores recrutaram indivíduos que já eram adeptos da meditação há meses e décadas e com técnicas variadas. Os resultados mostram que apenas aquelas pessoas que conseguem atingir uma fase “mais avançada” da meditação são capazes de experimentar uma dor menos intensa quando submetidos a uma situação negativa.

“A meditação está se tornando cada vez mais popular como uma forma de tratar doenças crônicas, tais como as dores causadas pela artrite”, diz Christopher Brown, que conduziu o trabalho. “Entretanto, os cientistas começaram apenas agora a observar como a meditação pode reduzir o impacto emocional da dor”.


O trabalho mostra que regiões específicas do cérebro são menos ativas quando a pessoa que medita antecipa a dor, induzidas – por exemplo – por um dispositivo a laser. Os “antigos” na meditação (até 35 anos de concentração) apresentaram uma expectativa menor à dor. Eles também apresentaram uma atividade incomum  no córtex pré-frontal, uma região conhecida por estar envolvida no controle da atenção e processos de pensamento diante de ameaças.

“Os resultados do estudo confirmam a suspeita de que a meditação pode afetar o cérebro”, ressalta Brown. “A meditação treina o cérebro para estar mais focado no presente e não gastar tanto tempo antecipando futuros eventos negativos. Isso pode ser a razão pela qual a meditação é eficaz na redução de quadros recorrentes de depressão, o que faz com que a dor crônica se torne consideravelmente pior”.

O pesquisador afirma que novos estudos devem ser feitos para uma compreensão mais aprofundada destes mecanismos desencadeados pela meditação. Contudo, o assunto é de interesse geral, uma vez que 40% das pessoas que sofrem de dor crônica não conseguem “digerir” o problema muito bem.

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