Peptídeo pode aumentar sobrevida de pacientes com pulmões transplantados

Experiências com ratos mostram que técnica pode melhorar a oxigenação do órgão, além de impedir lesões perigosas após cirurgia.

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25 Março 2010 | 11h59

Pesquisadores Rudolf Lucas e Guang Yang, da Medical College of Georgia. Crédito: MCG.

Pesquisadores Rudolf Lucas e Guang Yang, da Medical College of Georgia. Crédito: MCG.

Um peptídeo sintético que imita a capacidade natural do corpo de reduzir o acúmulo de líquido pode ser usado futuramente em pacientes submetidos a transplante de pulmão. Pesquisadores do Medical College of Georgia, nos EUA, mostram que a injeção da substância na traqueia de ratos antes da cirurgia impede lesões perigosas, melhorando a oxigenação do órgão.

Excesso de líquido e outros problemas podem ocorrer dentro de 72 horas após um transplante, reduzindo significativamente as chances de sobrevivência de um paciente, bem como prejudicando a função pulmonar em longo prazo. Cerca de 10% dos transplantados experimentam uma lesão pulmonar aguda nas primeiras horas após a cirurgia e aproximadamente 40% não resistem a mais do que 30 dias.

Voltando a respirar


Espécies reativas de oxigênio são subprodutos naturais do uso de oxigênio que podem causar danos celulares e morte em níveis elevados. O estresse, tal como colocar pulmões dormentes de volta ao trabalho, podem aumentas os seus níveis. “De repente você coloca os pulmões de volta em um corpo e terá uma oferta de oxigênio que por si só provoca uma série de prejuízos, principalmente devido à produção de espécies reativas ao oxigênio”, observa Lucas. É importante ressaltar que pulmões usados em transplantes podem ser conservados em soluções resfriadas durante horas.

Um dos maiores problemas, imediatamente após o transplante de pulmão, é a disfunção dos canais de sódio nos alvéolos – pequenos sacos de ar onde ocorre o consumo de oxigênio -, comprometendo a capacidade dos sacos de “líquido claro no sistema linfático”. Além disso, os pesquisadores observaram uma invasão imediata dos glóbulos brancos (neutrófilos), que também produzem espécies reativas de oxigênio.

Para completar o quadro de risco, existe o fator de necrose tumoral (TNF), uma produção inflamatória de citocinas que ajuda o corpo a combater uma infecção – algo que pode, em certos casos, ser prejudicial e até mortal. O transplante pulmonar ativa a produção deste fator, fazendo com que células que revestem a vascularização do órgão e sacos de ar produzam mais espécies reativas de oxigênio, bloqueando os canais de sódio.

Fator de necrose tumoral para o bem?

O fator de necrose tumoral também pode bloquear a produção de espécies reativas de oxigênio, aumentando a absorção de sódio. Entretanto, isso ocorre raramente em transplantados. É onde entra o peptídeo TIP.

Ao dar peptídeos sintéticos para ratos rumo ao transplante, o “lado bom” prevaleceu. Níveis de espécies reativas de oxigênio e neutrófilos caíram e os canais de sódio se recuperaram.

Receptores de TNF solúveis, que bloqueiam o fator de necrose tumoral “ruim”, já estão sendo usados para tratar artrite reumatoide, na qual o sistema imunológico ataca as articulações. Os pesquisadores esperam que esse mecanismo possa ser usado para o tratamento de outros problemas, como o diabetes, doenças vasculares e outros transplantes.  

Transplantes de pulmão no Brasil

O Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor) é um dos principais centros de transplante pulmonar no País. Os resultados de sobrevida nos pacientes que se submetem ao procedimento na instituição supera índices internacionais: 85% das pessoas sobrevivem após um ano de transplante.

Entre as doenças que podem levar à necessidade de transplante estão a doença pulmonar obstrutiva crônica, enfisema, fibrose e hipertensão pulmonar. Embora as estatísticas apontem que 340 transplantes sejam necessários anualmente, apenas 30 pacientes são beneficiados com a técnica.

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