Personalidade na infância dá indícios de comportamento na fase adulta

De acordo com um estudo realizado pela Universidade da Califórnia Riverside, há certas coisas que realmente não mudam ao longo da vida.

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04 Agosto 2010 | 17h14

Dizem que as mães sabem bem o que o filho vai se tornar quando crescer. Mais do que algo místico, isso pode ser explicado pelo fato de que traços da personalidade na infância são fortes indícios de como uma pessoa se comportará na fase adulta. De acordo com um estudo realizado pela Universidade da Califórnia Riverside, nos EUA, há certas coisas que realmente não mudam ao longo da vida.

Usando dados de uma pesquisa realizada em 1960, envolvendo cerca de 2400 crianças do ensino fundamental e etnicamente diferentes no Havaí, os pesquisadores comparam as classificações de personalidade com entrevistas filmadas de 144 destes indivíduos – 40 anos depois.

“Nós permanecemos reconhecidamente a mesma pessoa”, ressalta Christopher S. Nave, autor principal do estudo. “Isso diz sobre a importância da compreensão da personalidade, pois isto realmente nos segue aonde quer que seja, através do tempo dos contextos”.

Para chegar a esta conclusão, a equipe examinou os indivíduos de acordo com quatro atributos de personalidade: fluência verbal, capacidade de adaptação, impulso e retenção. Eles observaram que crianças muito articuladas, tagarelas ao extremo, tendiam a se tornar adultos de meia idade muito hábeis em questões intelectuais: falam bem, tentam controlar situações, exibem um elevado grau de inteligência. Crianças mais caladas tendem a pedir mais conselhos quando adultas, tendendo à desistência e exibem um estilo um tanto quanto desajeitado socialmente.

Pequenos altamente adaptáveis, que enfrentavam facilmente e com sucesso situações novas, tenderam a se tornar adultos alegres, articulados e com interesse por assuntos intelectuais. Crianças com dificuldade de adaptação se tornaram adultos mais negativos em relação ao que são, procurando conselhos e exibindo um estilo um pouco antissocial.

Quem era impulsivo (e talvez “impossível” para papais e mamães) tendeu a se transformar em um adulto que fala muito e mais alto, com interesses variados. Baixa impulsividade indicou medo e timidez na fase adulta. Na meia idade, estes indivíduos se tornaram mais fechados e com maior dificuldade de se comunicarem.

Os que tinham sido caracterizados por uma humildade elevada tendem a se tornar adultos que expressam culpa constante, pensamentos negativos acerca de si mesmos e insegurança. Adultos que na infância eram pouco humildes falam mais alto, mostram interesse por questões intelectuais e exibem comportamento condescendente.

É certo que alguns eventos na vida podem ser capazes de transformar muita coisa dentro de uma pessoa. Entretanto, os pesquisadores afirmam que a personalidade reside como parte da nossa própria biologia.