Insetos e crustáceos têm origem em ancestral comum

Caranguejos são parecidos com aranhas, mas uma pesquisa demonstra que estes animais estão bem distantes na cadeia evolutiva.

taniager

23 Fevereiro 2010 | 17h13

Este animal, o tulumensis Speleonectes, é de um grupo raro de crustáceos cegos que vivem em cavernas marinhas da classe remipedia. Estes crustáceos são os mais estreitamente relacionados com os insetos. Os conjuntos de remipedes e de insetos são agora apresentados como sendo um único grupo irmão de todos os crustáceos, incluindo os caranguejos, camarões e lagostas. (Crédito da foto: Simon Richards)

Este animal, o tulumensis Speleonectes, é de um grupo raro de crustáceos cegos que vivem em cavernas marinhas da classe remipedia. Estes crustáceos são os mais estreitamente relacionados com os insetos. Os conjuntos de remipedes e de insetos são agora apresentados como sendo um único grupo irmão de todos os crustáceos, incluindo os caranguejos, camarões e lagostas. (Crédito da foto: Simon Richards)

Você pode estar pensando que o caranguejo é muito parecido com a aranha, mas uma pesquisa conseguiu demonstrar que estes animais estão bem distantes entre si na cadeia evolutiva.

O resultado de um estudo sobre artrópodes, realizado no Natural History Museum de Los Angeles (NHM), EUA, demonstrou a existência de uma estreita relação evolutiva entre os grandes grupos de insetos e crustáceos que pertencem ao filo artrópoda – animais de pernas articuladas. Ao mesmo tempo, constatou a grande distância entre insetos e aracnídeos, estes últimos também pertencentes ao mesmo filo.  

A conclusão dos pesquisadores, incluindo o Dr. Joel Martin e Dr. Regina Wetzer, é inovadora porque respondeu a muitas perguntas que desafiaram tentativas anteriores de desvendar como estas criaturas estão relacionadas. O novo estudo traz uma contribuição importante para a nossa compreensão da natureza e da origem da biodiversidade do planeta.

Há milhões de espécies distintas de artrópodes, incluindo todos os insetos, crustáceos, centopéias, lacraias, aranhas, e uma série de outros animais, todos unidos por terem uma casca dura externa e pernas articuladas. Eles são, de longe, as mais numerosas e mais diversificadas de todas as criaturas na Terra – em termos de número de espécies nenhum outro grupo se aproxima. Eles constituem, talvez, 1,6 milhões de aproximadamente 1,8 a 1.9 milhões de espécies descritas, dominando o planeta em número, biomassa e diversidade.

 A pesquisadora e co-autora do estudo, Dra. Regina Wetzer explica que a diversidade evolutiva dos artrópodes – animais mais bem sucedidos da Terra – ainda é uma incógnita. Mas o estudo trouxe uma sólida compreensão da proximidade ou da distância entre os subgrupos de artrópodes, e isto faz com que seja mais fácil decifrar a história evolutiva destes animais. 

Os cientistas têm usado várias combinações de recursos nos últimos anos, incluindo seqüências de DNA, para tentar compreender quais grupos estão relacionados através de antepassados comuns. Até hoje, essas tentativas têm sido impedidas pelo grande número de espécies e pelas variações das formas muito distintas entre os diferentes grupos. 

Um dos resultados mais importantes deste novo estudo apóia a hipótese de que os insetos evoluíram de um grupo de crustáceos. Sendo assim, as moscas, as abelhas, as formigas e os grilos são ramificações da árvore genealógica de artrópodes vindas da mesma linhagem que deu origem aos caranguejos, camarões e lagostas. Outro achado importante é que o Chelicerata (um grupo que inclui as aranhas, escorpiões, carrapatos e ácaros) ramificou-se muito cedo, mais cedo do que as centopéias, crustáceos e insetos. Isso significa que as aranhas, por exemplo, estão em uma relação de distância maior com os insetos, achado que confronta a noção anterior de muitos pesquisadores.

Para desvendar a árvore evolutiva da família dos artrópodes, a equipe utilizou dados genéticos (seqüências de DNA), obtidos a partir de 75 espécies cuidadosamente selecionadas para a amostra da gama de diversidade dos artrópodes. Muitas análises anteriores foram baseadas em seqüenciamentos de alguns poucos genes. Os investigadores deste último estudo, por estarem cientes da diversidade assustadora que enfrentavam, usaram informações do seqüenciamento de DNA de tantos genes quanto puderam. No final, eles foram capazes de aplicar os dados de 62 genes codificadores de proteínas. Isto levou a uma análise extremamente bem fundamentada.

O Dr. Joel W. Martin, curador do Crustacea NHM e também um dos autores do estudo, atribui à biodiversidade contida no acervo do Museu de artrópodes a viabilização da pesquisa.  

Um dos principais problemas que a equipe teve de resolver foi a obtenção de amostras de alguns dos organismos raros e obscuros, cujos DNAs foram necessários para a análise, e que não se encontravam no acervo. Os pesquisadores foram a campo para procurar as amostras. Por esta razão, a ampla experiência da equipe de pesquisadores no campo da biologia também foi uma contribuição importante para o projeto.

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