Pesquisadores avançam na compreensão da tuberculose

Bactérias conseguem sobreviver em organismos saudáveis, o que sugere que estratégias inteligentes para driblar imunidade.

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29 Julho 2010 | 14h10

As bactérias da tuberculose têm uma incrível capacidade de sobreviver em organismos saudáveis, o que aparentemente sugere que elas têm algumas estratégias para driblar a imunidade.

As bactérias da tuberculose têm uma incrível capacidade de sobreviver em organismos saudáveis, o que aparentemente sugere que elas têm algumas estratégias para driblar a imunidade.

A tuberculose ainda infecta, ainda mata. Cerca de dez milhões de pessoas são afetadas pela doença a cada ano. Embora seja altamente contagiosa, propagando-se pela tosse e espirros, pode muitas vezes não causar sintomas em algumas pessoas, o que facilita ainda mais sua transmissão. Agora, uma equipe da Universidade McGill, no Canadá, pode ter dado um passo além no desenvolvimento de melhores vacinas e tratamento.

As bactérias da tuberculose têm uma incrível capacidade de sobreviver em organismos saudáveis, o que aparentemente sugere que elas têm algumas estratégias para driblar a imunidade. Elas entram no corpo pela inalação, estabelecendo-se no trato respiratório. Inicialmente, macrófagos alveolares – um tipo de glóbulo branco que fica nos pulmões – reconhecem os invasores e partem para a briga (tentando “devorá-los”). Mas parece que isso apenas não basta.

A maneira pela qual os macrófagos infectados morrem é um fator determinante no desenvolvimento da imunidade contra a tuberculose. Em uma situação saudável, os macrófagos induzem a apoptose, um tipo de morte celular que mantém sua membrana intacta mesmo ao ter engolido a bactéria. Ocorre, no entanto, que a bactéria da pneumonia induz a morte celular por necrose – permitindo que a membrana estoure e as bactérias escapem.

O destino dos macrófagos no corpo dependerá do equilíbrio entra dois tipos de eicosanoides, moléculas que contribuem para o controle de nosso sistema imunológico. O código genético bacteriano pode atuar a favor da necrose, modificando a produção de eicosanoides.

De acordo com os pesquisadores, felizmente já existem medicamentos no mercado que visam a produção de eicosanoides (como remédios para artrite reumatoide). “O próximo passo é ver exatamente como essas drogas podem ser usadas para tratar a tuberculose”, diz Maziar Divangahi, responsável pela pesquisa.

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