Pesquisadores conseguem recuperar pulmão de ratos com enfisema

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14 Outubro 2011 | 13h18

Embora possa ser a terceira maior causa de morte até 2020, doenças pulmonares obstrutivas crônicas são pouco compreendidas pela medicina. Agora, no entanto, um estudo publicado no periódico científico especializado Cell, conduzido por uma equipe da Universidade de Giessen, na Alemanha, lança luz sobre o problema. Ao estudar ratos expostos à fumaça de cigarro durante meses,  pesquisadores encontraram uma forma de recuperar pulmões danificados.

“Não era muito claro o que causava a doença e não há nenhuma terapia para estacionar ou reverter a destruição do pulmão com enfisema”, diz Norbert Weissman, envolvido na pesquisa. Nos últimos 20 anos, nenhuma novidade em relação à doença foi alcançada em estudos. Não se sabia exatamente se a inflamação das vias respiratórias e a diminuição da função respiratória, frequentemente acompanhadas de hipertensão pulmonar – essencialmente pressão do sangue nos pulmões – seriam as causas ou consequências do enfisema.

Ao realizar as experiências com roedores, a equipe obteve fortes evidências de que as mudanças nos vasos sanguíneos pulmonares e o desenvolvimento de pressão alta precedem o desenvolvimento do enfisema. Além disso, a equipe conseguiu identificar o papel de uma enzima – iNOS – sobre a produção de óxido nítrico – importante, se equilibrado, para a abertura dos vasos. Quando esse sistema se desestabiliza, os níveis de óxido nítrico disparam. As moléculas então sofrem reações químicas, tornando-se peroxinitrito ruim, que conduz a destruição do tecido pulmonar.

Para testar a teoria, os pesquisadores então observaram roedores que foram submetidos a medicamentos (já utilizados em ensaios clínicos aparentemente sem efeitos colaterais) para inibir a enzima iNOS. Como resultado, viram que os animais estavam protegidos contra o enfisema e a hipertensão pulmonar. O tratamento também reverteu o curso da doença.

Agora, a equipe planeja testar os resultados submetendo os animais a uma terapia inalatória, com a esperança de que a droga atinja as concentrações terapêuticas apenas onde ela é realmente necessária.