Pesquisadores desenvolvem monitor eletrônico que "mede" estresse

Objetivo é fornecer um equipamento que alerte para o estado do corpo, evitando o cansaço e a depressão de uma forma mais eficaz.

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15 Março 2010 | 00h05

Monitor de estresse mede condutividade da pele, frequência cardíaca e respiratória e movimentação do corpo. Crédito: ETH Life.

Monitor de estresse mede condutividade da pele, frequência cardíaca e respiratória e movimentação do corpo. Crédito: ETH Life.

Cientistas da ETH Zurique (Instituto Federal de Tecnologia de Zurique) estão desenvolvendo um assistente eletrônico que monitora os níveis de estresse de uma pessoa. O objetivo é fornecer um equipamento que alerte para o estado do corpo, evitando o cansaço e a depressão de uma forma mais eficaz. Apesar de o estresse ser uma resposta saudável do corpo frente a uma ameaça, em longo prazo pode ocasionar efeitos adversos como doenças cardiovasculares e até problemas mentais.

Para bolar a engenhoca, os pesquisadores usaram diferentes indicadores para determinar os níveis de estresse, incluindo a condutividade da pele nos dedos, a frequência cardíaca e respiratória e quantidade de hormônios do estresse cortisol na saliva. Além disso, levaram em conta a movimentação da perna, pé e os movimentos do braço, por meio de uma cadeira revestida com sensores de pressão (capaz de registrar quantas vezes a pessoa muda a postura enquanto está sentado).

Grupo de estressadinhos

A equipe trabalhou ao lado de psicólogos da Universidade de Zurique para analisar mais de 30 participantes do estudo. Estas pessoas achavam que fariam um simples teste mental de aritmética, mas, na verdade, tiveram que resolver problemas complexos de matemática em um computador com tempo estipulado e submetidos a muita pressão. Como os exercícios eram programados para ser cada vez mais difíceis, nenhum indivíduo conseguiu resolver mais da metade.

Após o teste, os pesquisadores ressaltaram que a atuação de todos foi abaixo da média, em comparação com o grupo “padrão”. Finalmente, para pressionar ainda mais, fizeram um feedback de seus desempenhos. A ideia dos pesquisadores era simular uma situação similar a situações de trabalhos reais. Depois, os participantes tiveram uma segunda chance para realizar os problemas matemáticos, desta vez sem tempo estipulado ou pressão dos investigadores.

À flor da pele

O monitor de estresse funcionou bem: o sistema foi capaz de reconhecer corretamente os níveis de estresse baseado na condutividade da pele (relacionada ao suor, desencadeado em situações estressantes) em 83% dos casos. Os sensores das cadeiras também forneceram informações úteis em 73% dos casos.

Os pesquisadores agora desejam realizar estudos dos níveis de estresse em bombeiros, que trabalham sob pressões de tempo e esforço mental elevado, uma combinação que favorece o estresse. A equipe também quer saber se condições de maníaco-depressivos poderiam ser avaliadas por esse método, o que facilitaria o trabalho de médicos para avaliação de respostas aos tratamentos.

Apesar de ser uma boa ideia, a engenhoca vai demorar a chegar ao mercado: estudos complementares devem adequar o sistema para que ele identifique o estresse em fase precoce. Além disso, os sensores ainda são muito desconfortáveis.