Equipe desenvolve tecnologia mais eficiente para biocombustível

Método reduz significativamente o desperdício observado em processos convencionais, tornando-se comercialmente viável.

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30 Junho 2010 | 15h46

Pesquisadora Ratna Sharma Shivappa diz que a técnica torna o uso da matéria vegetal bem mais eficiente e, portanto, comercialmente viável. Crédito: North Carolina State University- Roger Winstead.

Pesquisadora Ratna Sharma Shivappa diz que a técnica torna o uso da matéria vegetal bem mais eficiente e, portanto, comercialmente viável. Crédito: North Carolina State University - Roger Winstead.

Pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, desenvolveram uma tecnologia mais eficiente para a produção de biodiesel a partir de lignina. O método reduz significativamente o desperdício observado em processos convencionais, tornando-se comercialmente viável.

“Esta técnica faz com o processo seja mais eficiente e menos caro”, diz Ratna Sharma-Shivappa, professora de engenharia biológica e agrícola e co-autora da pesquisa. “A técnica pode abrir portas para fazer matéria-prima rica em lignina comercialmente viável para biocombustível, reduzindo a dependência de alimentos básicos para sua produção”.

Beterraba e outros vegetais ricos em amido e açúcares simples são usados para produzir butanol e outros biocombustíveis. Contudo, alimentam pessoas, e a “concorrência” de objetivos pode ser um impasse. Outros vegetais como talos de milho podem ser usados para produzir biocombustível, mas esbarram em outro problema: o potencial energético é “trancado” dentro da lignina da planta.

Quebrando a lignina

Pesquisadores do mundo todo exploram novas formas de captar a lignina de uma planta e transformá-la em substâncias ricas em carboidratos e fluxo de resíduos líquidos. Os carboidratos seriam então submetidos a enzimas que os transformariam em açúcar, cuja fermentação resultaria em etanol ou butanol. No entanto, o resíduo líquido era pouco ou nem um pouco utilizado.

Com a nova técnica, é possível liberar os hidratos de carbono da lignina. Expondo a planta ao ozônio gasoso, com bem pouca umidade, é possível produzir um sólido rico em hidratos de carbono sem resíduos – sólidos ou líquidos. “Isso é mais eficiente porque degrada a lignina de forma muito eficaz e há pouca ou nenhuma sobra de carboidratos da planta”, ressalta Ratna. “O sólido pode ir diretamente para as enzimas para produzir os açúcares necessários para a produção de biocombustíveis”.

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