Identificado gene que altera resposta do cérebro ao estresse

Estudo realizado nos EUA fornece novas informações para a compreensão da interação do BGNF com hormônios no cérebro.

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14 Março 2010 | 13h40

Baixos níveis de BDNF podem danificar os neurônios (direita). Crédito: The Rockefeller University.

Baixos níveis de BDNF podem danificar os neurônios (direita). Crédito: The Rockefeller University.

Não é de agora que sabemos que alguns aspectos da vida têm mesmo a capacidade de realmente deixar nosso cérebro de ponta-cabeça. A resposta ao estresse, um recurso que o nosso organismo utiliza para lidar com situações de perigo de forma rápida, é importante. Mas, com o tempo, viver sob pressão pode resultar em doenças tanto no órgão que combate o “terror”, como em outras partes do corpo. Investigando a forma como estas alterações ocorrem no organismo, pesquisadores da Universidade de Rockefeller e Weill Cornell Medical College descobriram uma proteína fundamental envolvida na remodelação do cérebro durante o estresse.

Experimentos mostraram que cérebros de ratos com uma quantidade insuficiente desta proteína, chamada fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), eram iguais aos de ratos saudáveis submetidos a estresse por longos períodos. O BDNF regula o desenvolvimento neural e a plasticidade sináptica. Além disso, a observação de ratos com apenas uma cópia (ao invés de duas) do gene que produz BDNF mostra que os cérebros eram igual ao de roedores sob o efeito de estresse prolongado também.

Para os pesquisadores, os resultados da pesquisa sugerem que o fator neurotrófico derivado do cérebro é uma das proteínas que desempenham importante função na mediação da plasticidade do cérebro. Encontrar uma forma de controlar o BDNF em ratos poderia fornecer aos cientistas uma compreensão maior do impacto do estresse tanto na fase de desenvolvimento do cérebro como na adulta. Acertar na quantidade poderia, entre outras coisas, também auxiliar na plasticidade adaptativa do cérebro.

Os experimentos foram focados no gene de uma proteína que, entre outras coisas, aumenta a capacidade de adaptação dos neurônios do hipocampo – uma região do cérebro que desempenha um importante papel no humor, cognição e memória. Quando ratos normais são expostos ao estresse crônico (simulados por confinamento), há uma retração significativa nas projeções, ou dendritos, de alguns dos neurônios no hipocampo, reduzindo o volume global também.

De qualquer maneira, o estudo fornece novas informações para a compreensão da interação do BGNF com hormônios no cérebro. Pesquisadores do Laboratório McEwen descobriram recentemente que uma variante do gene BDNF é um forte candidato para uma função em desordens pré-mestruais, alterando o desempenho em ratos durante tarefas que exigiam memória.

Estudos anteriores já mostraram muitas associações entre o estresse e o cérebro. Em 2005, pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, demonstraram que o aumento de hormônios causadores de estresse poderia levar a problemas de memória em idosos e dificuldades de aprendizado em crianças e adolescentes. Em 2009, uma equipe da Universidade de Minho, Portugal, descreveu como roedores sob estresse permanente perdiam a capacidade de tomar decisões, tendendo a optar por comportamentos habituais – repetições incontroláveis de alguma atividade.

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