Pesquisadores isolam anticorpo que atua apenas sobre células de câncer

Molécula GS45 é capaz de distinguir células mutantes de células normais, tendo como alvo receptor abundante em células do cancro.

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19 Abril 2010 | 16h02

Molécula GS45 tem como alvo um receptor que se encontra em grandes quantidades no câncer de ovário.
Molécula GS45 tem como alvo um receptor que se encontra em grandes quantidades no câncer de ovário.

O diagnóstico precoce do câncer de ovário é algo que pode deixar alguns médicos de cabelo em pé. A doença também é difícil de ser tratada, já que é descoberta tardiamente. Mas, pesquisadores do Fox Chase Cancer Center prometem uma nova forma de lidar com o problema pela utilização de anticorpos projetados para atingir apenas células tumorais, deixando as células saudáveis intactas.

Gregory Adams, um dos responsáveis do trabalho, e seus colegas isolaram uma molécula pequena similar a um anticorpo chamada GS45, capaz de distinguir células mutantes de células normais. A molécula GS45 tem como alvo um receptor chamado Müller Inhibiting Substance Type II Receptor (MISIIR), que pode ser escasso em um tecido normal – mas é abundante na superfície das células de câncer de ovário.

“Um problema geral de terapias direcionadas é que muitos dos alvos encontrados nas células cancerosas são também achadas em células normais”, explica Tatiana Karakasheva, que apresentará as descobertas no encontro da American Association for Cancer Research. “Quando você dirige drogas que matam as células com essa abordagem, você tem efeitos colaterais. A grande sacada neste alvo é que em tecidos saudáveis, é restrito ao sistema reprodutivo, e essa expressão aumenta drasticamente sobre o câncer de ovário”.

Os pesquisadores isolaram o GS45 através de um método chamado combinatória de anticorpos apresentados em fagos. Agora, devem testá-lo em experimentos com ratos. O primeiro passo será demonstrar que a molécula realmente ataca apenas células cancerosas. Então, os pesquisadores planejam explorar seu potencial como tratamento ao câncer.

“Porque o MISIIR é do rato é praticamente idêntico ao do homem, tudo o que os experimentos com esse alvo revelar, e a sua toxicidade, será igual ao de seres humanos”, ressalta Adams. “Isso nos dá poder para levar o trabalho para frente em estudos pré-clínicos, para vermos se vale a pena começar ensaios clínicos”.

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