Pesquisadores tentam decifrar por que certas feições atraem mais que outras

Existe um padrão de atividade específico no cérebro associado a nossa preferência? Ele pode ser identificado antes de nossa decisão consciente?

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18 Fevereiro 2010 | 10h37

Mona Lisa, obra de Leonardo da Vinci, é um dos retratos mais famosos do mundo por sua expressão enigmática.

Mona Lisa, obra de Leonardo da Vinci, é um dos retratos mais famosos do mundo por sua expressão enigmática.

 A face desempenha um importante papel na vida social. Tomamos complexas decisões sociais baseados na aparência facial. Extensas investigações têm sido feita spara identificar um conjunto de características que fazem um rosto ser atraente. Possivelmente, nenhuma pesquisa é necessária para prever o que um homem heterossexual escolheria: se Megan Foz ou Jocelyn Wildenstein.

Mas, pouco se sabe sobre a preferência nos casos em que as duas opções são bastante aproximadas: idade, raça, sexo, olhar, atributos faciais, emoção. Existe algum padrão de atividade específico no cérebro associado a nossa preferência? Estes padrões podem ser identificados antes de nossa decisão consciente?

Estas questões foram abordadas por um estudo de neuroimagem recente conduzido por Joydeep Bhattacharya, da Goldsmiths, Universidade de Londres, em que voluntários tiveram que escolher entre duas faces muito similares. Os rostos foram expostos, um após o outro, e as pessoas foram instruídas a escolher os que mais atraiam para a conversa e aproximação. As ondas cerebrais (eletroencefalograma) foram gravadas enquanto isso.

“Nós encontramos padrões específicos de atividade cerebral que se relacionam ao processo de decisão”, afirma Bhattacharya. “Um padrão é específico para o rosto a ser olhado, outro é específico para o rosto mostrado previamente que só está disponível através da recordação mental e, surpreendentemente, os dois padrões podem ocorrer bem antes do momento final de decisão consciente. Encontramos também alguns padrões de atividade que estão possivelmente relacionados com o efeito positivo da primeira impressão”.

Significa que o cérebro escolhe antes, e nos diz depois?

“Este é uma pergunta intrigante que perturba tanto neurocientistas, como filósofos. Não podemos provar a partir deste estudo que este é realmente o caso, mas há uma grande evidência de que não estamos plenamente conscientes dos processos que nos conduzem a decisões importantes. O verdadeiro desafio é prever a decisão final consciente com bases nos padrões de atividade neural pré-conscientes”.