Células-tronco embrionárias "viram" células de cartilagem

Técnica poderia ser usada futuramente para reparar juntas danificadas de pacientes com problemas como a osteoartrite, por exemplo.

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18 Outubro 2010 | 11h57

Células-tronco embrionárias têm a capacidade de se transformar, num processo conhecido por diferenciação celular, em outros tecidos do corpo, como ossos, nervos, músculos e sangue.

Células-tronco embrionárias têm a capacidade de se transformar, num processo conhecido por diferenciação celular, em outros tecidos do corpo, como ossos, nervos, músculos e sangue.

Cientistas da Universidade Manchester, no Reino Unido, conseguiram transformar células-tronco embrionárias em células que produzem cartilagem. A técnica poderia ser usada futuramente para reparar juntas danificadas de pacientes.

Danos da cartilagem podem ser causadas por doenças, como a osteoartrite, ou lesões. Muitas pessoas acometidas com o problema lidam com dores, rigidez e até mesmo a perda da mobilidade – em alguns casos, há substituição da articulação.

Mas o novo trabalho, cujos resultados foram publicados na “Nature Biotchnology”, consegue manipular células-tronco embrionárias pluripotentes (capazes de se transformar em qualquer célula especializada do corpo) para que se diferenciem em condrócitos, células que formam a cartilagem. Para tanto, os pesquisadores obedeceram a uma série programada de condições de cultivo contendo diferentes nutrientes adicionados.

De acordo com a equipe, a técnica leva apenas 14 dias para gerar um alto rendimento de células, além de definir um processo quimicamente definido e reprodutível com um modelo que poderá ser desenvolvido para produção deste tipo de células em grande escala.

“O grande desafio com células-tronco embrionárias é fazer com que todas as células de uma cultura façam a mesma coisa juntas, a fim de obter tipos específicos de células”, explica Kimber, co-diretor do North West Embryonic Stem Cell Centre (NWESCC), envolvido no estudo. “A utilização destas células-tronco derivadas de condrócitos pode levar a procedimentos cirúrgicos mais simples”.

Agora, a equipe está planejando um novo estudo para testar o implante do tecido de cartilagem em animais vivos, avaliando o potencial de reparação da cartilagem. Os pesquisadores também devem estudar outras gerações de condrócitos e outras células a partir das células-tronco embrionárias.