Dano em córtex pré-frontal ventromedial altera moralidade

Responda ao teste: uma pessoa que é mal sucedida na tentativa de matar é melhor ou pior do que alguém que mata acidentalmente?

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26 Março 2010 | 12h33

Córtex pré-frontal ventromedial, destacado em vermelho, é identificada como região associada a nossas avaliações

Córtex pré-frontal ventromedial, destacado em vermelho, é identificada como região associada a nossas avaliações "morais". Crédito: Wikipedia.

Nossa capacidade de responder adequadamente às tentativas de violência física de um agressor tem lugar certo no cérebro, de acordo com uma pesquisa realizada por pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology, nos EUA. Essa região, do tamanho de uma ameixa e localizada atrás, acima dos olhos, é conhecida como córtex pré-frontal ventromedial (VMPC).

Pessoas que sofrem danos nessa área do cérebro são incapazes de evocar uma resposta emocional normal para situações hipotéticas em que outro tenta, mas não consegue, matar alguém. Elas avaliam uma situação pelo resultado somente, não assumindo que um indivíduo mal intencionado possa ser moralmente responsável pela sua conduta – já que, efetivamente, não causou problema.

Moral x Razão

O estudo pode ajudar a compreender o complexo sistema cerebral e como uma pessoa constrói a moralidade. “Estamos aos poucos dissecando a estrutura da moralidade”, diz Liane Young, autor do artigo para a Neuron. “Nós não somos os primeiros a demonstrar a importância das emoções para a moralidade, mas esta é uma visão mais precisa de como as emoções são importantes.

Em parceria com pesquisadores da Universidade da Califórnia do Sul, a equipe passou a observar um grupo de jovens com lesões no VMPC causadas por aneurismas e tumores. Os pacientes tinham dificuldade em processar emoções sociais como a empatia ou o constrangimento, mas, a capacidade para o raciocínio e outras funções cognitivas permanece intacta.

Os investigadores deram aos indivíduos uma série de 24 cenários hipotéticos e perguntaram sobre suas reações. Os cenários de maior interesse para os pesquisadores foram aqueles com uma disparidade entre a intenção da pessoa e o resultado da ação – tentativas falhas de prejudicar ou danos acidentais.

Quando confrontados com tentativas falhas de prejudicar, os pacientes não tiveram problemas em entender as intenções do autor, mas eles falharam em enquadrá-lo como moralmente responsável. Os pacientes ainda julgaram a tentativa de agressão como mais admissível que as de danos acidentais (tais como o envenenamento acidental por alguém) – uma inversão do padrão observado em adultos normais.

“Eles podem processar o que as pessoas estão pensando e suas intenções, mas eles simplesmente não respondem emocionalmente a essas informações”, diz Young. “Eles podem ler sobre uma tentativa de assassinato e julgá-la moralmente admissível porque nenhum dano foi feito”.

Razão x Emoção

Os resultados apoiam a ideia de que fazer julgamentos morais exige pelo menos dois processos – uma avaliação lógica da intenção, e uma reação emocional a ela. O estudo também sustenta a teoria de que o componente emocional está assentado no VMPC.

O próximo passo, agora, é estudar pacientes que sofreram danos no VMPC quando eram mais jovens, para ver se eles têm o mesmo julgamento prejudicado. Young também planeja estudar as reações do paciente a situações em que as tentativas de agressão são direcionadas para o paciente e, portanto, são mais pessoais.

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