Quem pensa sobre a morte tende a se preocupar mais com a sociedade

Pesquisa mostrou que a maneira como uma pessoa pensa sobre a própria morte afeta o modo como ela se comporta na vida.

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19 Maio 2011 | 17h47

A maneira como uma pessoa pensa sobre a morte afeta o modo como ela se comporta na vida. É o que concluiu um novo estudo que será publicado na próxima edição da Psychological Science, uma revista da Association for Psychological Science. De acordo com os pesquisadores, quem pensa especificamente sobre a própria morte tende a demonstrar uma preocupação social maior – envolvendo-se em campanhas de doação de sangue, por exemplo.

A equipe da Universidade de Essex, responsável pelo trabalho, recrutou 90 pessoas de uma cidade britânica. Algumas tiveram que responder perguntas gerais sobre a morte – como pensamentos, sentimentos e expectativas sobre o que poderia ocorrer caso morressem. Outros foram convidados a imaginar a própria morte em um incêndio, e depois tiveram que responder quatro perguntas sobre como eles pensavam que iriam lidar com a experiência e como achavam que a família iria reagir. Um grupo de controle foi condicionado a pensar sobre a dor de dentes.

Em seguida, os participantes receberam uma reportagem – supostamente da BBC – sobre doações de sangue. Algumas pessoas leram o texto dizendo que as doações eram recordes e a demanda baixa; outras interpretavam a situação de forma oposta, como se as doações não cumprissem a demanda. Então foi oferecido a elas um panfleto para se candidatarem à doação de sangue no dia seguinte. As pessoas precisariam apenas pegar o papel se tivesse a intenção de doar.

Pessoas que pensavam sobre a morte de forma abstrata eram motivadas pela reportagem. Outras que pensavam sobre a própria morte eram suscetíveis de pegar o panfleto independente do artigo lido – como se a vontade de doar não dependesse do número de pessoas que precisam de sangue.

“A morte é uma motivação muito forte”, afirma Laura Blanckie, pesquisadora que liderou o trabalho ao lado do orientador Philip Cozzolino. “As pessoas parecem conscientes de que sua vida é limitada. Isso pode ser um dos melhores presentes que temos na vida, motivando-nos a abraçar a vida e os objetivos que são importantes para nós”. De acordo com ela, pessoas que pensam a morte de forma abstrata tendem a temê-la, limitando a possibilidade do pior acontecer apenas para elas.