Bactéria recém-descoberta dobra produção de gás hidrogênio

Hidrogênio parece ser boa opção "verde" de energia principalmente para a indústria automobilística, porque o seu subproduto é a água.

root

15 Abril 2010 | 15h54

As formas mais comuns de produzir gás de hidrogénio são por reforma de do metano ou da electrólise da água. Contudo, ambas não são comercial ou ecologicamente viáveis. Crédito: Lund University.

As formas mais comuns de produzir gás de hidrogénio são por reforma de do metano ou da electrólise da água. Contudo, ambas não são comercial ou ecologicamente viáveis. Crédito: Lund University.

Países do mundo inteiro estão investindo em pesquisa para a criação de novos combustíveis a partir de fontes que não sejam fósseis. Ou seja, todos buscam uma alternativa para o petróleo. Com a preocupação ambiental, os pesquisadores têm se voltado na elaboração de estratégias que criem energias verdes também. Agora, o sonho de ter um carro movido a hidrogênio, por exemplo, pode estar mais próximo: pesquisadores da Universidade Lund, na Suécia, acabam de mostrar que uma bactéria recém-descoberta dobra a produção deste gás.

O hidrogênio parece ser uma das melhores opções de energia, principalmente para a indústria automobilística, porque o seu subproduto é a água. Ou seja, o que “sobra” dele não agride a natureza, ao mesmo tempo em que gera eletricidade. No entanto, a produção limpa do gás hidrogênio é obtida pela silvicultura ou pelo lixo doméstico, usando um método similar à produção de biogás. O maior problema, neste caso, é que a troca de hidrogênio é baixa e as matérias-primas não geram tanto quanto é necessário para ser comercialmente viável, ao precisar de muita energia para ser fabricada. Neste contexto, encontrar uma bactéria que consiga duplicar a quantidade de produção de gás hidrogênio parece algo promissor.

“Há três importantes explicações para a bactéria Caldicellulosiruptor saccharolyticus produzir mais gás hidrogênio do que outras”, explica Karin Willquist, estudante de doutorado na Universidade Lund. “Uma delas é que ela se adapta ao meio ambiente de baixa energia, o que resultou no desenvolvimento de sistemas de transporte eficazes para carboidratos e a capacidade de passar por partes inacessíveis das plantas com a ajuda de enzimas. Isso significa mais produção de hidrogênio”.

A segunda explicação estaria no fato de que a bactéria poderia lidar com temperaturas mais altas. Por último, a equipe observa que ela ainda pode produzir gás hidrogênio mesmo em condições difíceis como pressão parcial do hidrogênio alta.

Mas nem tudo é perfeito: a bactéria não gosta de altas concentrações de sal, ou de gás hidrogênio, pois afetam as moléculas de sinalização e conduzem a um metabolismo que produz menos gás. “Contudo, é possível direcionar o processo para que o sal e as concentrações de gás hidrogênio não se tornem muito elevadas”, destaca Willquist. Por enquanto, no entanto, especialistas acreditam que o primeiro passo de uma nova geração de carros movidos a gás hidrogênio deve ser a mesmo mistura com o gás metano.

Veja também:

Geradores minúsculos podem se alimentar de vibrações aleatórias
Ondas térmicas prometem nova forma de produzir energia em nanotubos
Método promete biocombustível de celulose sem uso de enzimas
Energia química da fotossíntese é transformada em energia elétrica
Física verde: experiências com fusão nuclear prometem energia limpa
Como bactérias se alimentam de lixo para produzir energia limpa