Poluição de estradas pode estar associada ao autismo

Crianças nascidas de mães que vivem a cerca de 300 metros de rodovias têm o dobro de probabilidade de apresentar o transtorno.

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17 Dezembro 2010 | 16h20

Cerca de 15% dos indivíduos com autismo têm causas genéticas confirmadas. Entretanto, os pesquisadores ainda não compreendem completamente a doença, cujo símbolo é um quebra-cabeça. Crédito: Yale University.

Cerca de 15% dos indivíduos com autismo têm causas genéticas confirmadas. Entretanto, os pesquisadores ainda não compreendem completamente a doença, cujo símbolo é um quebra-cabeça. Crédito: Yale University.

Viver perto de estradas pode estar associado a um risco mais elevado para o autismo. De acordo com um estudo publicado por uma equipe do Children’s Hospital Los Angeles, nos EUA, crianças nascidas de mães que vivem a cerca de 300 metros de rodovias têm o dobro de probabilidade de apresentar a desordem.

O autismo é um transtorno de desenvolvimento que tem sido atribuído a fatores genéticos. Pensava-se que o aumento de casos estaria relacionado, na verdade, a mudanças nos critérios de diagnóstico e atenção, mas isso apenas não poderia explicar a quantidade de crianças afetadas atualmente. O trabalho em questão suporta a teoria de que fatores ambientais, em conjunto com risco genético elevado, são responsáveis pelo aumento de casos.

Pouco se sabe sobre o papel de poluentes ambientais no autismo. A exposição de mulheres grávidas ao ar poluído já mostrou ser capaz de afetar o desenvolvimento do feto, bem como estar associado a retardo no desenvolvimento durante os primeiros meses de vida. Entretanto, esta é a primeira vez que a poluição de carros foi relacionada ao autismo, mesmo que a medição de poluentes não tenha sido feita.


Para chegar a estas conclusões, os pesquisadores avaliaram crianças com autismo e crianças normais, entre 24 e 60 meses de vida, moradoras de Los Angeles, San Francisco e Sacramento. O estudo levou em consideração, entre outros fatores, a proximidade com que as mães viveram durante a gestão de rodovias. O risco observado não variou de acordo com a idade das gestantes, educação, raça ou tabagismo.

Poluentes de tráfego são capazes de induzir inflamações e estresse oxidativo. “Esperamos encontrar muitos, talvez uma dúzia, de fatores ambientais nos próximos anos, cada um provavelmente contribuindo para uma fração de casos de autismo”, diz Irva Hertz-Picciotto. “É muito provável que a maioria deles opera em conjunto com outros fatores e ou com a genética”.

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