Crianças com autismo podem mentir para proteger sentimento alheio

Crianças autistas não são boas mentirosas, mas podem contar mentiras brandas para proteger o sentimento de outras pessoas.

root

08 Outubro 2010 | 13h58

Crianças autistas não são boas mentirosas, mas podem contar mentiras brandas para proteger o sentimento de outras pessoas. De acordo com um estudo da Queen’s University, no Canadá, indivíduos marcados por esta complexa desordem podem, sim, valorizar o pensamento e sentimento alheio, embora seja espalhada a ideia de que eles têm fortes déficits de empatia.

“Os resultados são surpreendentes, porque existe uma noção de que crianças com autismo têm dificuldades em valorizar os pensamentos e sentimentos de outras pessoas, então nós não esperávamos que elas mentissem para evitar dizer coisas que podem magoar os outros”, diz Beth Kelley, responsável pelo trabalho.

Em um teste, os pesquisadores disseram às crianças que elas iriam ganhar presentes. Depois, a equipe entregou a elas barras de sabão. Ao serem questionadas se gostaram do presente que receberam, a maioria concordou com a cabeça ou disse que sim – em vez de dizer que estavam decepcionadas com o que lhes fora dado. De acordo com o time, a mentira tinha um caráter pró-social, com o intuito de manter boas relações com os demais.

Em um segundo experimento, as crianças receberam algumas pistas de áudio para adivinhar onde um objeto estava escondido. A maioria das crianças descobriu por pistas fáceis: uma galinha, ao escutar o cacarejar de uma galinha, e assim por diante. Mas uma pista difícil – uma música de Natal para indicar um elmo – foi dada. O pesquisador saiu da sala e quando retornou, perguntou às crianças se elas tinham encontrado o objeto (o testador sabia que elas tinham olhado para o objeto, mas as crianças não).

Tanto crianças com autismo e crianças sem autismo tiveram a mesma tendência para mentir, dizendo que não olharam o objeto. Entretanto, quando o pesquisador perguntou qual era o objeto, as crianças não-autistas perceberam que a segunda resposta poderia desmascarar a primeira. Portanto, mentiram novamente, dizendo que se tratava do papai-noel ou de uma árvore de Natal. Crianças com autismo não mentiram pela segunda vez.