Predisposição a alergias pode ser determinada no útero materno

A chance de uma criança desenvolver alergias pode depender de como ela se desenvolveu durante as etapas vitais do crescimento no útero.

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25 Outubro 2010 | 12h20

Pesquisadores descobriram que sibilância e alergias nas crianças podem ser determinadas no útero. Crédito: University of Southampton.

Pesquisadores descobriram que sibilância e alergias nas crianças podem ser determinadas no útero. Crédito: University of Southampton.

A chance de uma criança desenvolver alergias pode depender de como ela se desenvolveu durante as etapas vitais do crescimento no útero materno. De acordo com pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, fetos que se desenvolvem rapidamente no início da gravidez e depois têm este desenvolvimento desacelerado mais tarde, são mais suscetíveis de sofrerem alergias e asma quando crianças.

A explicação estaria nas alterações de desenvolvimento do sistema imunológico e dos pulmões. Um feto que cresce muito lentamente no útero também é mais provável de se tornar uma criança com mais tendência a apresentar chiados em resfriados comuns, provavelmente em função das vias aéreas mais estreitas nos pulmões.

“Alergias e asma na infância se tornaram uma epidemia nos países desenvolvidos nos últimos 50 anos. Esta pesquisa mostra que, para combater isso, precisamos entender mais sobre como os bebês se desenvolvem no útero”, diz Keith Godfrey, professora de epidemiologia e desenvolvimento humano em Southampton. “Nós já sabemos que o crescimento de um bebê no útero tem uma influência importante na predisposição à obesidade e doenças cardíacas na vida adulta, mas esta pesquisa fornece algumas evidências mais diretas ainda de que mudanças na forma como o sistema imunológico do bebê e os pulmões se desenvolvem antes do nascimento pode predispor a algumas das doenças mais comuns na infância”.

Os resultados foram obtidos após análise de mais de 1.500 crianças de três anos de idade que faziam parte de um estudo sobre a relação entre a alimentação e estilo de vida durante a gravidez e o crescimento do bebê no útero. A equipe encontrou provas de sensibilidade a alérgenos comuns em 27% das crianças que tinham desenvolvido rapidamente no início da gestação, mas que “vacilaram” mais tarde dentro da barriga, em comparação com 4% de fetos com trajetória de crescimento lento cedo no início e desenvolvimento acelerado no fim da gravidez.

“Ampliar nossa compreensão acerca da resistência natural do corpo é fundamental para o desenvolvimento de novos avanços no tratamento de doenças infecciosas, autoimunes e alergias”, ressalta Stephen Holgate, do Medical Research Council.