Busca por água em outros planetas deve ser repensada?

Trabalho mostra que estratégia pode estar errada, já que pesquisa por "água habitável" na Terra indica que associação tem seus problemas.

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13 Maio 2010 | 17h16

Nem toda a água permite a vida: pesquisadores australianos mapearam regiões na Terra que não são propícias à vida.

Nem toda a água permite a vida: pesquisadores australianos mapearam regiões na Terra que não são propícias à vida.

A estratégia de busca por água para encontrar vida em outros planetas, utilizada pela NASA, precisa ser repensada. É o que concluíram pesquisadores da Universidade Nacional da Austrália após um trabalho descrevendo a quantidade de água na Terra que não seria capaz de suportar a vida.

Para isso, a equipe mapeou as águas inabitáveis do planeta. “Nosso objetivo inicial era localizar regiões de Marte onde temperatura e pressão são adequadas para a vida, mas logo percebemos que, a parti do ponto em que sabemos bem mais sobre a Terra, deveríamos procurar isso aqui primeiro”, explica Eriita Jones, envolvida no trabalho. “Nossa primeira expectativa era de que toda a água líquida da Terra encontrada seria habitável. E ficamos surpresos ao descobrir que não é o caso”.

A equipe comparou a quantidade de ambientes de água líquida na Terra com ambientes habitados por vida terrestre. Embora todos os organismos precisem de água em estado líquido em alguma fase do ciclo de vida, os pesquisadores verificaram que nem toda água serve: se ela é muito quente, muito fria, salgada demais ou pobre em nutrientes, nada feito.

“Compilamos limites de temperatura global e pressão para ter uma visão maior dos limites ambientais para a vida terrestre”, ressalta Jones. “Mapeamos todas as possibilidades de ambientes na Terra onde há água e onde se sabe que há vida. Descobrimos que cerca de 1% da água na Terra é “desabitada”, mas que este 1% é muito espalhado pela crosta ou no manto superior”.