Imobilização pode agravar risco em vítimas de bala ou esfaqueamento

Procedimento pré-hospitalar pode dobrar chances de um paciente morrer: tempo gasto com resgate e utilização de colar são as principais causas.

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22 Janeiro 2010 | 14h48

Procedimentos pré-hospitalares têm sido colocados em questão por cirurgiões do hospital John Hopkins.

Procedimentos pré-hospitalares têm sido colocados em questão por cirurgiões do hospital John Hopkins.

Imobilizar a espinha de quem foi baleado ou esfaqueado é procedimento padrão em muitos países antes de levar as vítimas para o hospital. Entretanto, uma equipe do centro de medicina John Hopkins mostra que o risco da pessoa morrer dobra, justamente pelo tempo gasto para preparar a pessoa e transportá-la até um centro de emergência.

Quando uma pessoa leva um tiro ou é esfaqueada, cada segundo pode ser muito precioso. Na maioria das vezes, o ferimento está bem longe da espinha. Mesmo assim, o procedimento padrão das equipes de resgate consiste em colocar um colar cervical para proteger as pessoas de um dano maior. O tempo gasto com isso pode determinar se esta pessoa irá ou não viver.

O estudo sugere que o protocolo para resgate de vítimas baleadas ou esfaqueadas deva mudar, embora a imobilização se mostre muito eficaz em outros tipos de ferimentos – como os decorrentes de acidentes de carros ou traumas semelhantes.

Elliot R. Haut, professor assistente de cirurgia na Johns Hopkins University School of Medicine e responsável pelo estudo, afirma: “Pacientes que são gravemente feridos com um trauma penetrante vão morrer, não importa o que se faça, mas se alguém é esfaqueado no pulmão, ou leva um tiro no fígado, como procedemos e quão rápido procedemos pode fazer uma enorme diferença – a diferença  entre viver ou morrer”.

Apesar da imobilização que paramédicos fazem em pacientes com ferimentos a bala e faca ter uma boa intenção, pode tornar o caso ainda mais grave: o colar cervical pode, por exemplo, ocultar uma lesão na traquéia ou fazer com que a inserção do tubo de respiração se torne mais complicada.

Outros procedimentos de atendimento pré-hospitalar também têm sido colocados em questão, como a necessidade de administração intravenosa de fluídos. Haut e seus colegas analisaram os registros de mais de 45 mil pacientes com trauma penetrante incluídos no Banco de Dados de Trauma entre 2001 e 2004. Eles calcularam que a chance de se beneficiar pela imobilização da coluna nesses casos era de um em mil.