Produção de novas células está intimamente relacionada com memória

Trabalho fornece pistas sobre processos envolvidos na perda de memória durante o envelhecimento e revela alvos para a terapia celular.

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25 Agosto 2010 | 20h52

Localização do hipocampo no cérebro humano. Crédito: Wikipedia.

Localização do hipocampo no cérebro humano. Crédito: Wikipedia.

Uma pesquisa da Universidade da Flórida, nos EUA, mostra que a produção de novas células nervosas no cérebro humano está ligada ao aprendizado e memória. Os resultados do trabalho fornecem pistas sobre os processos envolvidos na perda de memória durante o envelhecimento ou saúde e revela alvos para a terapia celular.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores estudaram as células-tronco do hipocampo, região do cérebro relacionada com a memória, observando como elas proliferam e se transformam em diferentes tipos de células nervosas.

“Os resultados sugerem que se é possível aumentar a regeneração das células nervosas do hipocampo, podemos aliviar ou prevenir a perda de memória em seres humanos”, diz Florian Siebzehnrubl, co-autor do estudo.

Ao longo das últimas décadas, diversos estudos já demonstraram que novas células nervosas são geradas no hipocampo. Estudos com animais mostram que prejudicar esta criação de novas células resulta em perda da capacidade de memória. A produção de novas células, por sua vez, melhora a memória.

O estudo contou com a participação de 23 pacientes com epilepsia e diferentes graus de memória associada. A equipe então analisou as células-tronco de tecido do cérebro removido durante a cirurgia de epilepsia, avaliando a função de memória destas pessoas.

Em indivíduos com baixas pontuações de memória, as células-tronco não conseguiam gerar novas células nervosas em culturas de laboratório. Pacientes com memória normal tinham células-tronco capazes de proliferar. Os pesquisadores precisam agora confirmar o que vem primeiro: a epilepsia severa ou a alteração nas células-tronco. Novos estudos com um número maior de pacientes e testes mais detalhados das estruturas cerebrais devem ser realizados.

“O estudo nos dá insights de como abordar o problema do envelhecimento cognitivo e a perda de memória relacionada com a idade, com a esperança de desenvolver terapias que possam melhorar a saúde cognitiva no envelhecimento”, explica Lee Dockery, envolvido na promoção de pesquisas relacionadas ao assunto.

De acordo com a equipe, o próximo passo seria identificar os gatilhos que desencadeiam a produção de novas células nervosas no cérebro. “Provavelmente todos vão experimentar algum grau de perda de memória relacionada com a idade como resultado do processo normal de envelhecimento”, afirma Dennis Steindler, um dos autores do trabalho. “Não há nenhuma razão para acreditar que isso é irreversível e temos de encontrar novas abordagens terapêuticas para permitir que todos experimentem a produtividade ao longo da vida”.

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