Proteína da juventude também melhora memória e aprendizagem

Siturinas, ligadas à desaceleração do envelhecimento e longevidade, podem atuar aumentando a memória e o intelecto.

taniager

14 Julho 2010 | 13h26

Estrutura cristalográfica de levedura sir2 com ADP e um peptídeo histona H4. Crédito: cortesia do Instituto Tecnológico de Massachusetts /MIT.

Estrutura cristalográfica de levedura sir2 com ADP e um peptídeo histona H4. Crédito: cortesia do Instituto Tecnológico de Massachusetts /MIT.

As sirtuinas, conhecidas como proteínas ligadas à desaceleração do envelhecimento e longevidade, podem também aumentar a memória e o intelecto. Esta é a conclusão de um estudo realizado por uma equipe do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), EUA, e divulgada hoje.

Estudos anteriores haviam mostrado o potencial da sirtuina na regulação da extensão da vida. Ela é produzida por genes SIRT para proteger contra estresse oxidativo (formação de moléculas altamente reativas que podem danificar células ) no coração, para manter a estabilidade do genoma em vários tipos de células e proteger os neurônios contra degeneração.

O novo estudo comprova que a sirtuina tem papel relevante na aprendizagem e memória, as quais agora não são mais pensadas como subprodutos da proteção dos neurônios.  A equipe demonstrou que as sirtuinas aumentam a plasticidade sináptica manipulando pequenos trechos de material genético, cada um conhecido como microRNA. O microRNA foi descoberto recentemente e tem uma função importante na regulação da expressão gênica.

“Os efeitos das sirtuinas sobre a função do cérebro, incluindo aprendizagem e memória, representam um papel novo e um pouco surpreendente”, diz o professor de neurociência Li-Huei Tsai, pesquisador do Howard Hughes Medical Institute e líder da equipe. “Ao analisar a literatura, as sirtuinas são sempre associadas à longevidade, vias metabólicas, restrição de calorias, estabilidade de genoma e assim por diante. Elas nunca foram mostradas desempenhando um papel na plasticidade sináptica”.

A plasticidade sináptica é a capacidade de os neurônios reforçarem ou enfraquecerem suas conexões conforme novas informações. Ela é fundamental para o aprendizado e a memória. Com a descoberta do papel da sirtuina na plasticidade sináptica será possível desenvolver medicamentos para ajudar pacientes com distúrbios neurológicos, como doenças de Alzheimer, Parkinson e de Huntington.

O papel da sirtuina

As sirtuinas bloqueiam a atividade de um microRNA conhecido como miR-134, o qual interrompe a produção de CREB, uma proteína necessária para a plasticidade.  Quando o miR-134 é inibido, a proteína CREB fica livre para ajudar o cérebro a ajustar sua atividade sináptica.

Ratos desprovidos do gene SIRT1 e submetidos a testes de labirinto e tarefas de reconhecimento de objetos demonstraram fraco rendimento de memória e aprendizado.   Com a ativação das sirtuinas as funções cognitivas aumentaram.

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