Proteína Erk tem função crucial para o bom funcionamento do sitema nervoso

Várias desordens de desenvolvimento neurológico têm sido relacionadas a mutações genéticas que envolvem proteínas como a Erk.

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27 Janeiro 2011 | 15h06

SiAs chamadas

Sistema imunológico de pessoas com esclerose múltipla atacam as chamadas "baínhas de mielina".

Pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, nos EUA, identificaram uma função crucial para um jogador chave no desenvolvimento do sistema nervoso: uma proteína chamada Erk é necessária para que fibras nervosas envolvidas com uma substância isolante conhecida como mielina mandem mensagens para o cérebro e para membros periféricos, e vice-versa. A descoberta é especial porque várias desordens de desenvolvimento neurológico têm sido relacionadas a mutações genéticas na cascata do complexo desenvolvimento genético de proteínas Erk e similares.

O estudo, publicado na revista Neuron, sugere que os efeitos da Erk são bem diferentes do que pesquisas anteriores in vitro tinham indicado. “Estes estudos in vitro têm sido absolutamente importantes para entender como as coisas funcionam em nível molecular”, explica Jason Newbern, principal autor do trabalho. “Mas, quando você tenta dizer que um pequeno sistema artificial baseado em uma cultura está imitando a complexidade das interações que ocorrem quando uma célula se desenvolve, e envolve uma fibra nervosa – como ela está crescendo em relação ao membro, como o membro está crescendo e como os neurônios estão amadurecendo e secretando substâncias químicas diferentes – não há maneira de replicar isso em uma placa de petri”.

Muitos estudos são feitos em relação à famosa cascata conhecida como o caminho da quinase MAP. Por ser muito complexa, é difícil encontrar uma maneira de chegar a genes críticos em um animal vivo. Usando uma série de truques de engenharia genética, a equipe conseguiu a proeza no gene da Erk durante o desenvolvimento de um sistema nervoso periférico em ratos. Os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que os neurônios de ratos mutantes parecem ser relativamente pouco afetados.

“Mas, nós vimos um efeito dramático dessas células, chamadas células de Schwann, que envolvem as fibras do sistema nervoso periférico com a mielina para permitir a rápida condução de sinais”, diz William Snider, autor sênior. “Essas células foram devastadas em todas as fases do desenvolvimento”.

Porque os defeitos cognitivos experimentados pelos pacientes com sequelas neurológicas são intimamente ligados ao desenvolvimento do sistema nervoso central, mais do que em relação ao periférico, os pesquisadores planejam expandir seus estudos para ver quais são os efeitos da falta de Erk no cérebro. A equipe também pretende desenvolver modelos que possam recapitular o que acontece quando esta via é hiperativa, como no caso da neurofibromatose, uma doença genética causada pelo crescimento desordenado de células de Schwann e que induz ao crescimento de tumores nos nervos periféricos.