Proteína "da" artrite reumatoide pode proteger contra o Alzheimer

Experiências com roedores mostraram que a GM-CSF pode estimular as células do corpo a atuarem como um "detergente natural".

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23 Agosto 2010 | 10h34

Pesquisadores Tim Boyd (esquerda ) e Huntington Potter, responsáveis pelo trabalho. Crédito: University of South Florida.

Pesquisadores Tim Boyd (esquerda ) e Huntington Potter, responsáveis pelo trabalho. Crédito: University of South Florida.

Uma proteína de sinalização liberada pela artrite reumatoide reduziu drasticamente a patologia da doença de Alzheimer, revertendo o prejuízo de memória em ratos. O estudo, conduzido pela Universidade do Sul da Flórida, mostra que a GM-CSF pode estimular as células do corpo a atuarem como um limpador natural, atacando e removendo os depósitos de amiloide no cérebro de pessoas com a doença.

Pacientes com artrite reumatoide, uma doença crônica que causa a inflamação das articulações e tecidos circundantes, têm menos chance de desenvolver o Alzheimer, uma doença degenerativa progressiva que afeta funções cognitivas e memória.

“Nossos resultados fornecem uma explicação convincente do porquê a artrite reumatoide é um fator de risco negativo para a doença de Alzheimer”, diz Huntington Potter, principal pesquisador do trabalho. “Além disso, a forma recombinante humana da GM-CSF (Leukine ®) já é aprovada pela FDA (Food and Drug Administration, órgão que controla os remédios nos EUA) e tem sido usada há anos para tratar pacientes com câncer que precisam gerar células imunes”. De acordo com a equipe, novos estudos com seres humanos devem avaliar se a leukina é realmente eficaz para tratar o Alzheimer.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram três fatores de crescimento associados à artrite reumatoide em ratos, identificando a proteína GM-CSF como a mais importante na proteção contra a demência. Então, injetaram a mesma em dois grupos de ratos – um com animais geneticamente modificados para desenvolver problemas de memória e imitar a doença de Alzheimer e outro, normal, composto por roedores velhos. Outros dois grupos de controle receberam placebo.

Após dez dias de injeções, todos os roedores começaram uma série de testes comportamentais. Ao fim de 20 dias, os animais que tinham prejuízo cognitivo e que foram tratados com a proteína GM-CSF realizaram melhor os exercícios que medem a memória de trabalho e aprendizagem.

Além disso, os cérebro de ratos com Alzheimer e que foram submetidos ao tratamento mostraram uma diminuição maior que 50% em amiloide beta, substância que forma as placas que se formam no cérebro de pessoas com a doença. A redução da mesma e restauração da memória foram acompanhadas por mais pilhas imunes conhecidas como microglias – que atuam como células do corpo que coletam lixo, movendo-se para áreas danificadas ou inflamadas para livrar o organismo das substâncias tóxicas.

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