Proteína pode ajudar a entender como o ferro é regulado no sangue

Receptor que auxilia no desenvolvimento neural
também atua no complexo processo de absorção
do componente no organismo.

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29 Janeiro 2010 | 15h42

Distúrbio que causa deficiência ou sobrecarga de ferro no sangue pode estar com os dias contados.

Distúrbio que causa deficiência ou sobrecarga de ferro no sangue pode estar com os dias contados.

Você já deve ter ouvido falar da sua mãe quando era pequeno que, se não comesse o feijão, ficaria anêmico. Também já deve ter pensado em incrementar a comida do seu filhote com um belo bife de fígado. E já muitas vezes se deparou com amigos e familiares que tiveram anemia. Mas o que pouca gente sabe é que não existe somente um problema associado a índices anormais de ferro no sangue. O corpo pode também apresentar excesso deste componente no organismo – caracterizando um distúrbio chamado hemocromatose juvenil.

O ferro, um importante nutriente encontrado em alimentos como a carne, feijão e espinafre, é usado por todas as células, mas ajuda principalmente os glóbulos vermelhos no fornecimento de oxigênio para todo o corpo. Uma produção anormal de ferro pode implicar em consequências graves e até levar à morte.

Contudo, a descoberta de uma importante peça no quebra-cabeça de regulação de ferro no organismo foi achada.

Pesquisadores do Medical College da Geórgia, nos EUA, notaram que uma proteína (neogenina) – receptor que auxilia no desenvolvimento neural – também atuar no complexo processo de regulação de ferro. O receptor, localizado na superfície celular, aparece com um alvo fácil para o desenvolvimento de medicamentos que aumentem ou diminuam os níveis de ferro, conforme necessário.

Efeito dominó

No cérebro, as proteínas neogenina trabalham com outras moléculas para que neurônios sinalizem na direção certa. Um tipo de moléculas, as moléculas de orientação repulsiva, ou RGM, é conhecido por ajudar a regular os níveis de ferro – o que levou os cientistas a suspeitaram que a neogenina tinha um papel importante também.

Estudos em ratos mostraram que a neogenina inibe a secreção de um gene chamado hemojuvelina. Isso reduz a sinalização de uma proteína que reduz a expressão de hepcidina – um hormônio liberado pelo fígado para controlar os níveis circulantes de ferro, armazenando-os no baço até que ele seja necessário, orientando os intestinos em relação à quantidade de ferro a ser absorvida ou eliminada. Em culturas de células, os cientistas descobriram que o aumento na expressão do hemojuvelina aumenta a expressão de hepcidina, e a diminuição de um também diminui a expressão de outro.

Os próximos passos incluem determinar se a expressão de neogenina é elevada ou baixa em pacientes com índices anormais de ferro no sangue, como anemia ou hemocromatose juvenil. Se isso for verificado, drogas para estimular ou inibir o neogenina seriam úteis.