Descoberta de ratos gigantes faz nossos roedores virarem pets

Escavações em caverna no Timor Leste renderam a descoberta de ossos dos maiores ratos que já viveram na Terra encontrados até hoje.

taniager

26 Julho 2010 | 13h33

Arcada dentária superior de rato gigante extinto do Timor (à esquerda), o maior roedor que já viveu, em comparação com o crânio de um rato preto (direita). O rato preto (Rattus rattus) é a espécie de rato mais comum do mundo. É também conhecido como rato de casa, rato de telhado ou navio e é encontrado em toda a África, Ásia, Austrália, Europa e nas Américas. Um adulto normal pesa aproximadamente 150 gramas. O crânio do rato preto que aparece aqui é de 35 mm de comprimento. Crédito: cortesia de Ken Aplin, CSIRO.

Arcada dentária superior de rato gigante extinto do Timor (à esquerda), o maior roedor que já viveu, em comparação com o crânio de um rato preto (direita). O rato preto (Rattus rattus) é a espécie de rato mais comum do mundo. É também conhecido como rato de casa, rato de telhado ou navio e é encontrado em toda a África, Ásia, Austrália, Europa e nas Américas. Um adulto normal pesa aproximadamente 150 gramas. O crânio do rato preto que aparece aqui é de 35 mm de comprimento. Crédito: cortesia de Ken Aplin, CSIRO.

Escavações em caverna no Timor Leste renderam a descoberta de ossos dos maiores ratos que já viveram na Terra, encontrados até hoje. O artigo sobre a descoberta foi publicado esta semana no Boletim do Museu Americano de História Natural, EUA.

Os responsáveis pelo artigo Ken Aplin do CSIRO (The Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation), Austrália, e Helgen Kris da Instituição Smithsonian, EUA, estimam o peso destes roedores gigantes em cerca de seis quilos.

Das 13 espécies de ratos encontradas pelos pesquisadores, 11 delas eram desconhecidas. Oito eram de ratos que pesavam mais de um quilo.  

“Os roedores compõem 40 por cento da diversidade de mamíferos em todo o mundo e constituem um elemento fundamental dos ecossistemas. Eles são importantes em processos como a conservação do solo e dispersão de sementes. A manutenção da biodiversidade entre ratos é tão importante quanto proteger as baleias ou de aves”, explicou Aplin.

A datação por carbono mostra que o rato gigante sobreviveu até cerca de 1000 a 2000 anos atrás, juntamente com a maioria de outros roedores timorenses encontrados durante a escavação. Apenas uma das menores espécies encontradas é conhecida por sobreviver em Timor hoje.

Crânio de um rato preto (direita) comparado com um crânio bastante completo do rato gigante extinto do Timor (à esquerda). O rato gigante que aparece aqui não é o maior dos ratos extintos, que eram 25 por cento maiores ainda. Crédito: cortesia de Ken Aplin, CSIRO.

Crânio de um rato preto (direita) comparado com um crânio bastante completo do rato gigante extinto do Timor (à esquerda). O rato gigante que aparece aqui não é o maior dos ratos extintos, que eram 25 por cento maiores ainda. Crédito: cortesia de Ken Aplin, CSIRO.

O biólogo Aplin supõe que a extinção destes ratos se deve ao desmatamento de grandes áreas florestais para ampliar a agricultura pelos povos que chegaram à ilha há 40 mil anos. Até 1000 a 2000 anos atrás, estes povos viviam de modo sustentável, mas possivelmente a introdução de ferramentas de metal possibilitou ampliar com maior eficiência as áreas de cultivo.

Hoje, menos de 15 por cento da floresta está intacta. Os pesquisadores acreditam que poderão encontrar ainda mais exemplares de espécies desconhecidas de ratos que possam ter sobrevivido nestas áreas.

Cada uma das ilhas da Indonésia Oriental evoluiu sua própria coleção única de ratos. Aplin também encontrou seis espécies novas de ratos em uma caverna na ilha de Flores. Alguns destes podem ainda estar vivendo em Flores, mas eles estão evadindo devido à detecção por coletores modernos. Por esta razão, pesquisas adicionais são urgentemente necessárias.

Os maiores ratos de que se tem notícia pesam cerca de dois quilos e vivem nas Filipinas e Nova Guiné. Agora, os pesquisadores esperam encontrar ratos maiores vivos nos quinze por cento de florestas virgens restantes que ainda não foram exploradas na região.

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