Questão de sorte: buracos negros podem determinar a morte ou o nascimento de uma estrela

Questão de sorte: buracos negros podem determinar a morte ou o nascimento de uma estrela

Da redação

03 Fevereiro 2012 | 19h04

Crédito: Imperial College London /Mark Crockett

Acreditava-se que buracos negros, objetos no universo tão densos que a atração gravitacional impede até mesmo a luz de escapar, não permitissem o nascimento de estrelas ao redor. As nuvens de gás e poeira a partir das quais pontos luminosos no céu surgem seriam puxadas também pelas poderosas forças gravitacionais destes grandes aspiradores cósmicos. Entretanto, novas evidências mostram que as coisas não são bem assim: o mesmo fluxo capaz de ‘chupar’ o material pode comprimir determinadas concentrações de gás, impulsionando a formação estelar. Um artigo sobre o assunto foi publicado no periódico científico especializado Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Buracos negros podem ter um efeito significativamente mais complexo no universo do que os cientistas pensavam antes”, afirma Sugata Kaviraj, professor do Imperial College London, na Grã-Bretanha, e responsável pelo estudo. “Sabíamos que os fluxos produzidos por buracos negros poderiam remover o gás e saciar a formação de estrelas, mas poucos imaginaram que eles poderiam de alguma forma ajudar completamente o nascimento de novas estrelas”.

Atualmente os pesquisadores apoiam a ideia de que centros de galáxia acolhem buracos negros, que de tempos em tempos lançam o material que está ao redor a milhares de anos-luz. Deste processo, gases podem ser comprimidos e aquecidos, desencadeando a formação de estrelas. A equipe acredita que o fenômeno pode ter sido muito mais comum no início do universo, quando não havia ainda muitas nuvens de gás, respondendo pelo nascimento de bilhões de estrelas. Ainda hoje o processo pode ocorrer de forma significativa, embora haja poucos exemplos conhecidos nas galáxias vizinhas.


No estudo em questão, os astrônomos usaram o telescópio Hubble para estudar as regiões centrais da Centauros A, uma galáxia brilhante localizada a 13 milhões de anos-luz da Terra. Eles observaram um filamento de poeira ‘correndo’ pela galáxia (em verde) perto de novas estrelas (em azul) e, ao analisar o local em detalhes por meio de raio-x e comprimentos de onda de rádio, descobriram a presença de jatos se estendendo por mais de 1 milhão de anos-luz a partir do centro do buraco negro (invisível, mas que estaria do lado direito da imagem).