Questionário é incapaz de dizer se níveis de vitamina D são adequados

Exposição ao sol, consumo de suplementos, idade e estilo de vida podem ter bem menos relação com a deficiência em vitamina D do que se supunha.

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20 Abril 2010 | 16h38

Alguns alimentos podem ser boas fontes de vitamina D, como a gema do ovo. Entretanto, o consumo regular e a exposição ao sol não garantem que a pessoa esteja com os níveis certos da vitamina no organismo - o que pode aumentar o risco para certas doenças, como o câncer.

Alguns alimentos podem ser boas fontes de vitamina D, como a gema do ovo. Entretanto, o consumo regular e a exposição ao sol não garantem que a pessoa esteja com os níveis certos da vitamina no organismo - o que pode aumentar o risco para certas doenças, como o câncer.

A vitamina D no organismo tem sido associada há tempos com um risco menor de uma pessoa desenvolver câncer – especialmente o câncer de cólon e de mama. Entretanto, detectar se há deficiência desta vitamina pode ser uma tarefa mais difícil do que se supunha. De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Buffalo, nos EUA, as informações que os pacientes fornecem aos médicos podem não ser suficientes para avaliar o estado de uma pessoa: apenas 21% da variação nos níveis de vitamina D entre as pessoas estão associados à idade, ingestão de suplementos, localização geográfica e estilo de vida.

Significa dizer que esses dados não poderiam ser usados como marcadores substitutos confiáveis para avaliar o risco de mama e de cólon, sendo necessário o exame de sangue. Os marcadores foram particularmente ruins para identificar mulheres com graves deficiências de vitamina D. “Outros fatores, como a genética e outras variáveis que não podem ser medidas ou ainda desconhecidas, podem dizer mais sobre os níveis de vitamina D no sangue das pessoas”, explica Amy Millen, autora principal do estudo. Para a pesquisadora, as conclusões desse trabalho são relevantes porque vão contra o que pesquisas anteriores indicaram, de que medidas padrão poderiam predizer os níveis da vitamina no sangue e prever o risco de câncer.

A investigação é baseada em amostras de sangue de 3.055 mulheres na pós-menopausa. Foram abordadas questões como a latitude, a estação do ano, exposição solar regional, idade, raça, estilo de vida. Os resultados demonstraram que há diferenças significativas nos níveis de vitamina D entre as pessoas que não poderiam ser explicadas pelos parâmetros utilizados. “Aprendemos que esses dados ainda não permitem prever com muita precisão os níveis de vitamina D no sangue de um indivíduo”, reforça Millen. “Entretanto, nosso estudo não tem dados muito detalhados sobre a exposição solar individual; se tivéssemos essa informação talvez fosse possível prever com mais precisão os níveis de vitamina D em uma pessoa. Supomos, entretanto, com base em outros estudos semelhantes, que mesmo com as medidas de exposição ao sol, um modelo preditivo ainda não seria muito válido”.


Vitamina D e o Sol

A vitamina D é uma vitamina que promove a absorção de cálcio no organismo, além de ter um papel importante no sistema autoimune e muitas funções metabólicas, musculares, cardíacas e neurológicas. É a exposição à luz solar que desencadeia a produção da mesma na pele, embora alguns alimentos (o óleo de fígado de bacalhau, a gema do ovo, a manteiga e o salmão, por exemplo) possam funcionar como um complemento.

A deficiência de vitamina D pode aumentar o risco de osteoporose em adultos, maiores chances de câncer e doenças autoimunes e raquitismo e avitaminose em crianças. Pode ser resultado do consumo inadequado ou pouca exposição ao sol, bem como relacionada a desordens que dificultam a conversão da vitamina D em metabólicos ativos.

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