Glioblastoma: radiação em nichos de células-tronco dobra sobrevida

Resposta melhor pode ser explicada pela destruição das células progenitoras que se tornam mutantes, alimentando o tumor.

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23 Julho 2010 | 11h14

Altas doses de radiação em regiões específicas do cérebro conhecidas por abrigar muitas células-tronco neurais podem dobrar o tempo de sobrevivência de pacientes com glioblastoma mortal, o tipo mais comum de câncer no cérebro ainda sem cura.

Um estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles, nos EUA, mostra que pacientes submetidos a este tipo de terapia tiveram 15 meses de sobrevida livres de progressão. Pessoas que receberam doses mais baixas ou que não fizeram tratamento nas mesmas regiões do cérebro tiveram sobrevida de um pouco mais de sete meses livre de progressão da doença.

O estudo, que aparece hoje na edição onlina da BMC Cancer, pode mudar a forma como a radioterapia é dada a pacientes com este tipo de câncer cerebral. “Nosso trabalho descobriu que, se você irradia uma parte do cérebro que não era necessariamente parte do tumor nos pacientes, pode ser melhor”, diz Frank Pakonk, autor sênior do estudo. “Temos lutado por anos para chegar a novas combinações de medicamentos e terapias específicas que melhorem a sobrevivência para pacientes com glioblastoma. Pode ser que remoldando nossas técnicas de radiação, possamos estender a vida destes pacientes”.

A pesquisa envolveu pacientes 55 adultos com grau 3 ou 4 de glioblastoma, submetidos à radiação entre fevereiro de 2003 e maio de 2009. Embora mais estudo deva ser feito para confirmar os resultados, os pesquisadores sugerem que a resposta melhor se deve ao fato de que a grande maioria dos cânceres – se não todos – pode brotar de células-tronco ou células progenitoras que se tornam mutantes. Estes nichos bombardeados pela radiação seriam uma espécie de porto seguro do tumor, capaz de fazer o câncer voltar mesmo se o tumor for removido.

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