Radiação ultravioleta reduz sintomas da esclerose múltipla em ratos

Relação entre exposição ao sol e esclerose pode estar bem mais nos efeitos dos raios UV do que na absorção de vitamina D pelo organismo.

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23 Março 2010 | 16h27

Relação entre exposição ao sol e esclerose estaria no aumento da absorção de vitamina D. Entretanto, pesquisadores descartam a hipótese, sugerindo que raios UV desempenhem um papel muito maior na luta contra a doença.

Relação entre exposição ao sol e esclerose estaria no aumento da absorção de vitamina D. Entretanto, pesquisadores descartam a hipótese, sugerindo que raios UV desempenhem um papel muito maior na luta contra a doença.

Poucos tratamentos parecem ajudar pacientes que sofrem de esclerose múltipla, uma doença neurológica degenerativa que afeta o sistema nervoso central. Sabe-se, no entanto, que a luz solar tem alguma relação com a doença, pois em países afastados da Linha do Equador a incidência de casos é bem maior.

Por mais de três décadas acreditavam que isso podia ser resultado do aumento da absorção da vitamina D, induzida pela exposição ao sol. Entretanto, um trabalho realizado pela Universidade de Wisconsin-Madison, EUA, sugere que a ligação seja, mesmo, com a radiação ultravioleta. Os raios UV – tão temidos pelos branquinhos nas praias – podem desempenhar um papel muito mais importante na proteção contra a esclerose.

“Desde os anos de 1970, muitos acreditaram que a luz solar reduzia as chances de esclerose em função da vitamina D”, explica Hector DeLuca, professor de bioquímica da universidade. “É verdade que altas doses de formas ativas da vitamina D podem bloquear a doença em modelos animais, levando a um elevado nível de cálcio no sangue. Entretanto, sabemos que pessoas que moram nos trópicos não têm tanto cálcio no sangue, mesmo não tendo muita tendência à esclerose. Então, tudo indica que algo além da vitamina D possa explicar a relação geográfica”.

Ratinhos dos trópicosA exposição ao UV (equivalente a duas horas de sol direto de verão) não interferiu no número de ratos afetados pela doença, embora tenha reduzido os sintomas da esclerose múltipla, especialmente em animais que foram tratados com os raios ultravioletas diariamente. A equipe também descobriu o aumento dos níveis de vitamina D não podem explicar a redução dos sintomas. Em algumas situações, a radiação reduziu as reações imunológicas.

“Estamos procurando identificar que compostos são produzidos pela pele que podem desempenhar um papel importante nisso, mas, honestamente, nós não sabemos o que ocorre”, admite DeLuca. “De alguma forma isso faz com que o animal passe a tolerar o que está acontecendo, ou tenha algum mecanismo de reação que bloqueie os danos autoimunes”.

Se os pesquisadores conseguirem descobrir o que o organismo passa a produzir mediante a exposição aos raios ultravioletas, tratamentos mais eficazes contra a doença poderiam ser produzidos.

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Usando modelos de roedores geneticamente alterados para a esclerose múltipla, os pesquisadores acompanharam a doença injetando uma proteína nas fibras dos nervos. Então, expuseram os ratos a níveis moderados de radiação ultravioleta por uma semana. Depois de induzirem a doença, começaram a irradiar os ratos a cada dois ou três dias.