Ratos que crescem ao lado de irmãs são menos atrativos, mas eficientes

Comportamento de machos de roedores que se desenvolvem em família repleta de fêmeas é influenciado e influencia o sexo feminino.

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21 Outubro 2010 | 14h24

Crescer ao lado de muitas irmãs pode tornar o irmão do sexo masculino menos sexy, ao menos em ratos. Um novo estudo publicado pela Psychological Science mostra que machos de roedores que se desenvolvem em uma família repleta de fêmeas têm seu comportamento diferente, que influencia inclusive o comportamento do sexo feminino.

Devid Crews, psicobiologista da Universidade do Texas em Austin, estuda como o início da vida afeta o comportamento posterior – uma área de muito interesse atualmente, englobando inclusive como a posição do feto no útero poderia determinar ou influenciar certos comportamentos futuros. Um feto espremido entre dois irmãos no útero, por exemplo, cresce e se torna mais masculinizado porque foi exposto ao hormônio dos irmãos também. Outras pesquisas indicaram que o tamanho da ninhada afetaria também o comportamento de um animal.

Entretanto, o pesquisador queria separar os efeitos da vida antes e depois do nascimento. “A vida é um processo contínuo: você é um feto, e logo depois nasceu em uma família. Cada um desses períodos pode ser importante”, ressalta Crews. São duas fases distintas que não necessariamente produzem os mesmos efeitos.

Quando filhotes de ratos nasceram, os pesquisadores contaram o número de machos e fêmeas em cada ninhada – determinando a razão de sexo no útero. Remontaram as ninhadas de três maneiras: uma em que o sexo masculino era predominante, outra em que o sexo feminino dominava e uma terceira ninhada equilibrada. Em seguida, a equipe observou o comportamento da mãe com os filhotes e, tendo os machos crescido, os pesquisadores testaram para ver como se comportavam com as fêmeas.

Os resultados mostraram diferenças no comportamento com base no ambiente em que os ratos cresceram. Machos que cresceram em meio a diversas irmãs foram “apresentados” a fêmeas na fase reprodutiva, montando menos tempo sobre elas do que os ratos que vieram de ninhadas equilibradas ou com predomínio do sexo masculino. Como eles conseguiram atingir o objetivo – acasalar -, mostraram que são mais eficientes no acasalamento.

De acordo com a equipe, o experimento sugere que a eficiência seja uma maneira de compensar o fato de que ratos crescidos em ninhadas com muitas fêmeas sejam menos atrativos. Sabe-se que uma fêmea está interessada por um macho quando ela faz um movimento específico, mexendo também as orelhas. Ratinhos crescidos em famílias com muitas fêmeas não costumam receber tantas “cantadas” assim.