Reação entre nicotina e ácido nitroso é o maior perigo do fumo passivo

Alerta mostra que alguns ambientes podem ser mais propícios à formação de poluentes cancerígenos, como caminhões e trânsito.

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09 Fevereiro 2010 | 14h24

Combinação entre cigarro e ácido nitroso do ar pode resultar em um ambiente extremamente nocivo.

Combinação de cigarro e ácido nitroso do ar pode resultar em um ambiente extremamente nocivo.

A nicotina liberada pela fumaça do cigarro e os resíduos do tabaco são aderido por praticamente todas as superfícies, mesmo muito tempo depois de o cigarro ser apagado. Reagindo com o ácido nitroso presente no ar, produz poluentes cancerígenos perigosos. O novo alerta foi dado por pesquisadores do Laboratório de Berkeley.

A queima do tabaco libera a nicotina em forma de um vapor que se mistura no interior das superfícies, como paredes, pisos, carpetes, cortinas e móveis. A nicotina pode persistir por semanas e até meses nestes materiais. O estudo mostra que, quando esta nicotina residual reage com o ácido nitroso do ambiente, produz nitrosaminas cancerígenas específicas do tabaco, ou TSNAs. “AS TSNAs estão entre as substâncias cancerígenas mais potentes presentes do tabaco e que afetam terceiros pelo fumo passivo”, explica Hugo Destaillats, do Departamento de Meio Ambiente do Laborratório de Berkeley.

Os autores relatam que, em testes de laboratório utilizando celulose como um modelo de material exposto à fumaça, os níveis de TSNAs foram dez vezes maiores do que aqueles presentes na amostra sem a exposição de uma razoável concentração de ácido nitroso (três horas de exposição).

Aparelhos a gás são a principal fonte de ácido nitroso em ambientes fechados. É o caso de muitos caminhões, que emitem algum ácido nitroso na atmosfera e diretamente na cabine. Superfícies de um veículo como esse, conduzido por um motorista fumante, apresentaram níveis substanciais de TSNAs. Em ambos os casos, um dos principais produtos encontrados foi um TSNA que está ausente do fumo do tabaco recentemente emitido – a nitrosamina conhecida como NNA. Os potentes agentes cancerígenos NNN e NNK também foram formados por esta reação.

A pesquisa também revela que a formação no TSNA é rápida, de até 0,4% de conversão da nicotina durante a primeira hora. “Dada a rápida absorção e persistência dos elevados níveis de nicotina no interior de algumas superfícies, incluindo roupas e pele, nossos resultados indicam que a fumaça representa para fumantes passivos um perigo inestimável através da exposição dérmica, inalação e ingestão”, afirma Mohamad Sleiman, co-autor do estudo.

Os dados ainda revelam que abrir uma janela ou ligar um ventilador enquanto uma pessoa fuma não elimina o perigo para terceiros. Fumar fora de casa é, obviamente, melhor do que fumar dentro de casa, mas resíduos de nicotina penetram na pele de um fumante e de suas roupas. Estes resíduos podem entrar na casa e reagir com o ácido nitroso, espalhando componentes cancerígenos em toda a parte.

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