Rede de comunicação pode aumentar potencial de cidades pequenas

Avanços tecnológicos viabilizaram a competição entre cidades pequenas e centros urbanos poderosos, como Nova Iorque.

taniager

30 Agosto 2010 | 14h34

O sociólogo Zachary Neal da Universidade de Michigan argumenta que avanços tecnológicos viabilizaram a competição entre cidades pequenas e centros urbanos poderosos, como Nova Iorque.

O sociólogo Zachary Neal da Universidade de Michigan argumenta que avanços tecnológicos viabilizaram a competição entre cidades pequenas e centros urbanos poderosos, como Nova Iorque.

Um estudo elaborado pelo sociólogo Zachary Neal mostra como tamanho de cidades não é documento quando se pensa em termos de economia local vibrante e sofisticada. Publicado hoje pela Universidade de Michigan, EUA, da qual o autor é professor, este trabalho evidencia que cidades com muitas conexões para outros lugares são potencialmente competitivas como outras de porte incrivelmente maior.

Muito diferente do que ocorria 50 anos atrás, pequenas cidades têm se beneficiado de aumento do fluxo aéreo, transporte ferroviário veloz, internet  e avanços tecnológicos para competir com centros urbanos poderosos.  

Neal estudou pequenas cidades norte-americanas como Denver, Phoenix e Bentoville e comparou-as às cidades como as de Nova Iorque, Chicago e Los Angeles.

“Há cinquenta anos, ninguém teria pensado em colocar uma empresa multinacional em Bentonville, Arkansas, quando ela poderia estar em Nova York, Chicago ou Los Angeles,” disse Neal. “Mas as mudanças na tecnologia começaram a nivelar o campo de ação em termos do papel que as cidades podem desempenhar”.

Neal examinou a população e os dados de tráfego aéreo em 64 cidades dos Estados Unidos de 1900 a 2000. Ele descobriu que a população da cidade era o fator mais importante para a sua economia até a década de 1950, quando então a propagação das viagens aéreas comerciais promoveu o crescimento de redes empresariais que cruzam todo o país. Essa tendência continuou com os avanços da teleconferência e do crescimento da Internet.

Algumas grandes cidades – incluindo Nova York, Los Angeles e Chicago – construídas com base nas redes mantiveram sua influência econômica. Outras cidades – como Detroit, Cleveland e Pittsburgh – não conseguiram efetivamente capitalizar e agora são consideradas “mal conectadas”. Por outro lado, cidades pequenas que desenvolveram uma trama de conexões recentemente, emergiram como centros econômicos importantes.

Isto é verdade para as economias globais das cidades e para setores específicos, como produção, transporte e comunicação, afirmou Neal.

Segundo o sociólogo, o estudo pode ajudar no planejamento de cidades para estimular suas economias locais com base na construção de redes de relacionamento comercial e de transportes, em vez de apenas atrair mais residentes.

Ele acrescentou que nos próximos 50 anos o fator mais importante para as economias locais poderá muito bem mudar novamente – possivelmente para um tipo baseado na sustentabilidade ambiental das cidades. “A transição de uma hierarquia baseada em tamanho para uma enraizada nas redes mostra que se trata de uma estrutura fluída”.