Redução de beta-amiloide melhora aprendizagem em ratos com Down

Roedores foram tratados com droga experimental que bloqueia a gama secretase - enzima essencial para a produção da beta-amiloide.

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03 Junho 2010 | 23h56

Pesquisadores usaram droga experimental que reduz níveis da proteína beta-amiloide no cérebro de roedores. Crédito: Wikipedia.

Pesquisadores usaram droga experimental que reduz níveis da proteína beta-amiloide no cérebro de roedores. Crédito: Wikipedia.

A redução da proteína beta-amiloide em ratos jovens com uma condição semelhante à síndrome de Down melhora a capacidade de aprendizagem, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade do Texas, nos EUA.

“Este estudo preliminar em modelos animais lança a intrigante possibilidade de que medicamentos que reduzem os níveis de beta-amiloide podem oferecer alguns benefícios às crianças com síndrome de Down”, diz Craig Powell, um dos responsáveis pelo trabalho, que está disponível na PLoS One.

Pequenos roedores com Down


Os ratos usados nos experimentos tinham três cópias de um trecho de genes, incluindo os que estão relacionados com a produção de beta-amiloide. Aos quatros meses de idade, foram tratados com dApt, uma droga experimental que bloqueia a gama-secretase – uma enzima essencial para a produção da proteína. Em quatro dias os níveis de beta-amiloide diminuíram em 40% e melhoraram significativamente o desempenho dos animais em testes.

Entretanto, o bloqueio da enzima não está envolvido somente com a produção de beta-amiloide. “Inibidores da gama-secretase podem ter efeitos colaterais indesejáveis”, explica Powell. “O objetivo agora é identificar medicamentos que bloqueiem a capacidade de produção da gama-secretase e beta-amiloide sem bloquear a capacidade para desempenhar outras tarefas”.

Síndrome de Down e o Alzheimer

A síndrome de Down é uma doença genética causada por uma cópia extra do cromossomo 21, que incluem genes para proteínas que produzem beta-amiloide – uma proteína que se acumula no cérebro de pessoas com o mal de Alzheimer e pode contribuir para o declínio cognitivo -, levando a dificuldades de aprendizagem e problemas físicos.

Embora se saiba que crianças com Down têm níveis elevados desta proteína no cérebro, os pesquisadores ainda não sabem se o aumento das mesmas afeta a capacidade intelectual. Contudo, quando indivíduos chegam na casa dos 40 anos de idade, desenvolvem sintomas da demência.

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