Relação entre idade da grávida e risco de autismo é confirmada

Chances de uma criança nascer com o distúrbio é bem maior se a mulher fica grávida após os 40 anos, independente da idade do pai.

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09 Fevereiro 2010 | 02h04

O autismo é uma disfunção global do desenvolvimento, que afeta a capacidade social do indivíduo

O autismo é uma disfunção global do desenvolvimento, que afeta a capacidade social do indivíduo

Grávidas mais velhas têm mais chances de ter uma criança com autismo, independente da idade do pai. A confirmação foi feita por pesquisadores do UC Davis Health System após um exaustivo levantamento de todos os nascidos na Califórnia, EUA, durante a década de 1990. A idade avançada do pai está associada a um elevado risco de autismo apenas quando o pai é velho e a mãe tem menos de 30 anos.

O estudo mostra que as chances de uma mulher mais velha ter um filho com autismo aumentam 18% a cada cinco anos. Os riscos em uma mulher de 40 anos de idade podem chegar a 50%, se comparados com os riscos de uma mulher entre 25 e 29 anos.

Embora já fosse discutido que a idade avançada poderia aumentar as chances de uma mulher ter um filho com autismo, estudos anteriores eram contraditórios por não indicar qual idade avançada – se da mãe, do pai ou ambos – contribuiria para a doença.

“Este estudo desafia uma teoria corrente de que identifica a idade do pai como o fator chave no aumento de risco de se ter uma criança autista”, diz Janie Shelton, autora da pesquisa. “Isso mostra que enquanto a idade materna pode realmente aumentar as chances, a idade do pai contribui apenas quando ele é velho e a mulher tem menos do que 30 anos. Entre mulheres com mais de 30, a idade avançada do pai não parece aumentar esse risco”.

Os resultados da pesquisa são importantes para uma compreensão mais aprofundada da própria biologia do autismo. Diversos estudos têm demonstrado que a idade avançada da mãe é um fator de risco para muitas outras doenças, incluindo infertilidade, aborto, pouco peso ao nascer, aberrações cromossômicas e anomalias congênitas.

“Nós ainda precisamos descobrir o que faz pais velhos aumentarem o risco de nascer uma criança com autismo e outros resultados adversos para então desenvolver intervenções”, diz Irva Hertz-Picciotto, autora sênior da pesquisa.

Uma das possíveis pistas para essa relação entre idade e chances de uma criança nascer com autismo foi mostrada por outro estudo da Universidade da Califórnia. De acordo com a pesquisa, mães de crianças com autismo tinham anticorpos para a proteína do cérebro do feto, enquanto nenhuma das outras mães tinha. Neste sentido, é importante considerar que a idade avançada também está associada ao aumento da produção de anticorpos.

O estudo também sugere que mudanças epigenéticas, ao longo dos anos, poderiam permitir que um pai velho transferisse um elevado número de alterações de moléculas funcionais para uma criança. Desta maneira, a epigenética pode estar envolvida nos riscos elevados de pais mais velhos, como resultado de mudanças induzidas por exposição prolongada a produtos químicos, por exemplo.

O que é o autismo

O autismo é uma disfunção global do desenvolvimento, que afeta a capacidade social do indivíduo. Quem tem autismo tende a ter comportamentos restritos e repetitivos, geralmente diagnosticados a partir dos três anos. O desenvolvimento cerebral anormal começa provavelmente no útero.

As características mais comuns do autismo são a dificuldade na interação social, dificuldade no uso de comportamentos não-verbais (contato visual, por exemplo), sociabilidade seletiva, preocupação insistente com um ou mais padrões esterotipados, inflexibilidade em relação a rotinas e preocupação com partes do objeto em detrimento do todo.