Personalidade e envelhecimento cerebral dão pistas sobre demência

Durante a meia idade, traços neuróticos no comportamento podem indicar que certas regiões do cérebro estão diferentes.

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30 Março 2010 | 21h18

Amígdala, envolvida no processo emotivo, é menor em indivíduos neuróticos. Crédito: WUSTL.

Amígdala, envolvida no processo emotivo, é menor em indivíduos neuróticos.

Um trabalho realizado por psicólogos da Universidade de Washington em St. Louis aponta uma interessante relação entre personalidade e envelhecimento cerebral. Durante a meia idade, traços neuróticos no comportamento podem indicar que certas regiões do cérebro estão diferentes. Ou, então, que as regiões do cérebro estão mudando a ponto de afetarem a personalidade.

Os pesquisadores analisaram imagens de ressonância magnética de 79 voluntários com idades entre 44 e 88 anos. Eles também tiveram conhecimento de informações sobre personalidade e localização. A partir disso, observaram um volume de massa cinzenta menor no córtex frontal e lobo temporal medial do cérebro nas pessoas que tinham fortes traços de neuroticismo, em comparação com maiores volumes de massa cinzenta em quem era classificado como extrovertido.

“Esse é o primeiro passo para ver como a personalidade pode afetar o envelhecimento do cérebro”, diz Denise Head. “Nossos dados mostram claramente uma associação entre a personalidade e o volume do cérebro, em especial nas regiões associadas ao processo emocional e social. Isso pode significar que a personalidade influencia o grau de envelhecimento do cérebro”.

Jonathan Jackson, co-autor da pesquisa, testou a hipótese de que o envelhecimento de indivíduos com alto nível de neuroticismo mostraria menos volume no cérebro, enquanto em pessoas extrovertidas o volume seria maior. “Partimos do princípio de que o neuroticismo teria uma relação negativa com o volume estrutural”, afirma Jackson. “Nós realmente focamos nas região frontal e temporal medial, porque são onde ocorrem as maiores alterações ao longo da idade, lugares também importantes para a atenção, emoção e a memória. Descobrimos que os indivíduos mais neuróticos tinham volumes menores em partes do córtex pré-frontal e temporal medial do que pessoas menos neuróticas, e pessoas mais extrovertidas tinham mais volume”.

A equipe afirma que o estudo baseou-se apenas nas diferenças entre personalidades, associando-as com a idade. Depois, os pesquisadores relacionaram esses resultados com os efeitos sobre as estruturas cerebrais em pessoas de meia idade saudáveis ou idosas. Os resultados sugerem que há um declínio bem maior no volume do cérebro em pessoas que apresentam traços de neuroticismo, enquanto que pessoas extrovertidas apresentavam menor perda de volume.

A pesquisa pode fornecer pistas para o diagnóstico da demência em estágios precoces. Um dos primeiros sintomas do mal de Alzheimer, por exemplo, pode ser a mudança na personalidade. Alguns estudos anteriores já demonstraram que pessoas afetadas pela doença se tornam mais neuróticas e menos expansivas.

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