Risada pode ter um papel-chave na dinâmica de um grupo

O melhor remédio? Embora presente no dia-a-dia de todas as pessoas, a função social da risada não foi amplamente estudada até hoje.

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24 Agosto 2010 | 12h14

Embora presente no dia-a-dia de todas as pessoas, a função social da risada não foi amplamente estudada até hoje.

Embora presente no dia-a-dia de todas as pessoas, a função social da risada não foi amplamente estudada até hoje.

Rir pode também ser o melhor remédio quando o problema é social. De acordo com um estudo realizado pela Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos EUA, a risada pode desempenhar um papel-chave na comunicação e dinâmica de um grupo – atuando como uma ferramenta para controlar os demais.

Para o estudo, os pesquisadores examinaram o papel da risada nas deliberações de um juri durante um caso de assassinato. A equipe teve acesso à transcrição do caso realizado em 2004 e ficou especialmente intrigada com a quantidade de risadas ao longo do processo: um homem branco acusado de dois assassinatos e 30 violações (a maioria relacionada a drogas).

“Nós estávamos interessados em saber como as pessoas se comunicam dentro de um grupo para realizar uma tarefa, e vimos isso como uma oportunidade para explorar o papel da risada em sinal de apoio a outras pessoas – ou falta de apoio – para a posição de outras pessoas dentro de um grupo“, explica Joann Keyton, professor de comunicação em Nova Iorque e co-autor do estudo.

O pesquisador explica que no caso de um julgamento, os integrantes do juri não se conhecem e passam a intergir durante o trabalho. “Assim, parte do processo do júri é a criação de relacionamentos dentro do grupo; por exemplo, descobrir quem pensa como eu, que terá a mesma opinião que eu tenho“, ressalta Keyton. “Há dinâmicas de poder em jogo“.

Em alguns casos, a risada teve tom de deboche – uma forma de excluir um integrante que se opunha, por exemplo, à pena de morte. Em outra situação, a confusão de um dado levou ao riso generalizado, o que poderia ser interpretado como uma forma de liberar a tensão, ao mesmo tempo em que permitia aos integrantes reconhecer quem cometeu um erro.

“A risada é uma forma de lidar com a ambiguidade e a tensão em situações em que o grupo está tentando tomar decisões conseqüentes, e dinâmicas de poder informal estão em jogo”, diz Keyton. Embora presente no dia-a-dia de todas as pessoas, a função social da risada não foi amplamente estudada até hoje.

O artigo “Examining Laughter Funcionality in Jury Deliberations” foi publicado em uma edição especial do Small Group Dynamics.

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