Drogas para emagrecer não fornecem resultados duradouros em obesos

Pesquisadores defendem o desenvolvimento de terapias que atuem nos fatores motivacionais que levam ao descontrole sobre a comida.

root

17 Março 2010 | 16h00

Especialistas defendem criação de medicamentos que atuem nos fatores motivacionais do consumo excessivo de alimentos, que levam à obesidade.

Especialistas defendem criação de medicamentos que atuem nos fatores motivacionais do consumo excessivo de alimentos, que levam à obesidade.

Quantas vezes você já ouviu que, para ser magro, é preciso transformar radicalmente a alimentação, ao invés de tomar remédios? Cientistas da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, estão levantando a bandeira de que drogas antiobesidade não fornecem benefícios duradouros para a saúde e bem estar. O argumento é de que os tratamentos atuais agem apenas sobre os efeitos biológicos do excesso de peso, deixando de lado as causas psicológicas que levam uma pessoa a comer além da conta. Ou seja, para transformar radicalmente a alimentação, primeiro a pessoa – ou o médico – deveria saber o que faz você sentir tanto apetite.

Para o pesquisador Jason Halford, especialista em apetite e obesidade, a maioria dos medicamentos antiobesidade tem como objetivo primordial a perda de peso, mas não leva em consideração os fatores que motivam o problema. A obesidade é o resultado do consumo excessivo de alimentos e vida sedentária. No entanto, pessoas obesas também podem ter uma relação complicada com a comida, que torna difícil o controle sobre o apetite e a manutenção do peso.

“Como os fatores psicológicos são importantes para o desenvolvimento da obesidade, as empresas farmacêuticas devem ser levadas em consideração na concepção de novas terapias“, afirma Halford. “Aprendemos muito sobre os sistemas neuroquímicos que governam atitudes, como o querer e gostar de comida, mas é hora de aproveitar esse conhecimento para ajudar pessoas a controlarem seu comportamento alimentar“.

Remédios contra a obesidade atuam de formas diferentes:  podem diminuir o apetite, alterar o metabolismo ou inibir a absorção de calorias. Apesar de tudo, muitos questionam se esses tipos de intervenções são realmente seguras.

Os pesquisadores sugerem o desenvolvimento de novos tratamentos que interfiram no desejo, modulando o processo, de forma que pessoas obesas tenham menos aversão à dieta. Fatores motivacionais, como propagandas de comida, podem desencadear um problema complexo. O obeso geralmente escolhe alimentos mais ricos em gordura e açúcar, que não saciam porque têm efeitos reduzidos sobre hormônios do trato digestivo reponsáveis pela sensação de satisfação. Por isso, pegam maiores quantidades de comida e tendem a comer mais rápido. Como resultado, sentem mais fome e procuram ainda mais comida.

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