Parar de fumar aumenta fator de risco para diabetes 2 nos primeiros anos

taniager

06 Janeiro 2010 | 12h11

O hábito de fumar é um fator de risco para diabéticos do tipo 2, mas o que não se sabia até hoje é que parar de fumar aumenta o risco de desenvolvê-la a curto prazo. É o que indica pesquisa realizada pela Universidade John Hopkins de Medicina. Pessoas que cortam o cigarro normalmente ganham peso e, consequentemente, as chances de adquirir a doença aumentam.
 
A diabetes tipo 2 é um distúrbio que interfere na habilidade que o corpo tem de utilizar o açúcar apropriadamente, regular e utilizar adequadamente a insulina produzida pelo pâncreas para baixar o nível de açúcar no sangue durante e após as refeições. O pâncreas produz a quantidade certa de insulina, mas o corpo não pode usá-la normalmente. O resultado é excesso de níveis de açúcar no sangue, que ao longo do tempo, pode levar à cegueira, insuficiência renal, danos nos nervos e doenças cardíacas. Pessoas com sobrepeso e aquelas com história familiar da doença tem mais chances de desenvolvê-la, assim como os fumantes, embora a relação causal ainda não seja clara. 

Para a pesquisa, a equipe liderada pela professora Hsin-Chieh “Jessica” Yeah monitorou 10.892 adultos de meia idade que ainda não tinham diabetes no período de 1987 a 1989. Os pacientes foram acompanhados por até 17 anos e vários dados como os de estado de diabetes, glicemia e peso foram coletados em intervalos regulares. 

Nova pesquisa sugere que parar de fumar pode incrementar o fator de risco a curto prazo. (Credit: iStockphoto)

Nova pesquisa sugere que parar de fumar pode incrementar o fator de risco a curto prazo. (Credit: iStockphoto)

Em média, durante os primeiros três anos do estudo, desistentes do tabaco ganharam cerca de 8,4 quilos.  Das pessoas que pararam de fumar, 70 por cento tiveram o fator de risco de desenvolver diabetes tipo 2 aumentado nos primeiros seis anos sem tabaco, em comparação com aqueles que nunca fumaram.

O risco foi maior nos primeiros três anos de abstinência do cigarro e voltou ao fator de risco normal de não fumante depois de dez anos. Entre aqueles que continuaram fumando durante esse período, o risco foi menor, mas a chance de desenvolver diabetes era ainda 30% mais elevada em comparação com aqueles que nunca fumaram.

A recomendação de Yeh e de seus colegas é de que as pessoas parem de fumar, mas prestem atenção ao próprio organismo. Mudança no estilo de vida, gerenciamento agressivo do peso, uso de terapia de reposição de nicotina e exame mais frequente da glicemia são maneiras eficientes de evitar uma segunda dor de cabeça.

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