Revestimento de carboidratos é calcanhar de Aquiles do vírus HIV

Eles mudam bastante, só não trocam de roupa. Pesquisadores acreditam que falha na camuflagem possa ser aproveitada.

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20 Julho 2010 | 12h10

O HIV, vírus da imunodeficiência humana, age no interior das células humanas responsáveis pela defesa do organismo.

O HIV, vírus da imunodeficiência humana, age no interior das células humanas responsáveis pela defesa do organismo.

As cadeias de moléculas de açúcar ou de hidratos de carbono que revestem o HIV são diferentes das que cobrem as células humanas. De acordo com uma pesquisa da Universidade de Oxford, no Reino Unido, esta diferença poderia ser base para uma abordagem promissora no desenvolvimento de uma vacina contra o vírus que causa a Aids.

Enquanto o vírus é caracterizado por ser altamente variável, já que mutante (vacinas contra a gripe, por exemplo, são reformuladas anualmente para conseguir atacar todas as novas estirpes, mas o vírus HIV é capaz de se transformar em único dia), sua carcaça permanece muito constante e poderia servir como alvo de vacinas. A ideia dos pesquisadores é criar versões sintéticas deste revestimento, forçando o organismo a reconhecer o invasor e combater qualquer infecção.

“Estamos cautelosamente otimistas de que esta pesquisa poderia levar a uma nova abordagem promissora para uma vacina contra o HIV”, diz Chris Scanlan, responsável pelo trabalho. “Encontramos algo que não muda em todas as classes de HIV – do vírus encontrado nos EUA aos de Uganda – e isso é algo que pode ser feito e fabricado”.

Vírus diferentes, roupas iguais

A equipe isolou os revestimentos de carboidratos a partir de diferentes amostras do vírus HIV no mundo, analisando sua estrutura química. Os pesquisadores observaram que estes carboidratos – completamente diferentes dos padrões de açúcar encontrados em células humanas – se mantém organizados da mesma forma, e constantes.

“A densa nuvem de hidratos de carbono que cobre o vírus tem sido chamada de camuflagem de carboidratos, porque as cadeiras de hidratos de carbono são semelhantes aos do lado de fora das células do próprio corpo, e assim, normalmente não são reconhecidas pelo sistema imunológico”, explica Scanlan.

O que os pesquisadores querem mostrar é que esta camuflagem pode ser falha, abrindo as portas para o ataque. “É possível educar o sistema imunológico a reconhecer essas diferenças. Você pode incluir sinais de perigo na formulação da vacina para forçar o sistema imunológico a reconhecer determinada estrutura de carboidrato”, ressalta Scanlan.

A equipe agora está tentando encontrar maneiras de produzir versões sintéticas de hidratos de carbono semelhantes aos encontrados no revestimento do vírus em laboratório. Os pesquisadores acreditam que elas possam ser combinadas a um fator que aumenta a resposta do organismo contra os invasores.

As descobertas foram relatadas na revista Proceedings of National Academy of Sciences.

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