Risada dá insights sobre doenças neurodegenerativas como o Alzheimer

Ato pode transmitir diferentes emoções e ativar várias regiões do cérebro, fornecendo insights para doenças como o Parkinson e Alzheimer.

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19 Julho 2010 | 12h17

Uma equipe internacional liderada por pesquisadores da Universidade Newcastle, no Reino Unido, e Universidade de Uebingen, na Alemanha, está mostrando que rir não é apenas engraçado: o ato de abrir a boca e gargalhar pode transmitir uma série de emoções, cada uma processada em diferentes partes do cérebro. O conhecimento destes processos podem ser usados para revolucionar a forma como pacientes com doenças neurodegenerativas se comunicam.

Em experiências relatadas em um artigo no jornal NeuroImage, voluntários foram capazes de reconhecer três formas diferentes – positivas e negativas – da risada apenas ao ouvir: alegria, insultos e agrado. Diferentes redes e caminhos no cérebro decodificam estes diferentes tipos de risada também.

O objetivo inicial da pesquisa era analisar como as emoções são expressas e percebidas na comunicação não-verbal. Mas os resultados mostram que este entendimento poderia beneficiar no futuro pessoas com dificuldade para reconhecer e expressar seus sentimentos, como pacientes com Parkinson e Alzheimer, por exemplo.

Experiência da alegria

Os pesquisadores usaram atores representando cada tipo de risada de diferentes maneiras para gravar fitas. Depois, os voluntários ouviram as gravações e tiveram que classificá-las. “Eles foram capazes de identificar o tipo de riso só de ouvir as fitas, o que nos mostrou que as emoções humanas são repassadas no riso de forma clara”, ressalta Kai Alter, professor de neurociência da Newcastle.

A equipe utilizou um scanner de ressonância magnética nos voluntários enquanto eles escutavam as risadas, observando que várias regiões do cérebro se tornavam ativas para “processar” a informação. De acordo com os pesquisadores, outros estudos poderiam identificar que redes cerebrais em um paciente com doença neurodegenerativa podem estar afetadas fazendo com que estes indivíduos reajam de uma forma diferente na comunicação.

“Terapeutas e familiares de pacientes, bem como os médicos, poderiam ser treinados para detectar o que eles estão tentando comunicar, e novas formas de comunicação em um nível cognitivo inferior poderiam ser desenvolvidos”, explica Alter.

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