Comportamento migratório de tartarugas é desvendado

Pesquisa inovadora consegue trilhar as rotas das tartarugas gigantes no Atlântico Sul por meio de um sistema de localização por satélites.

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05 Janeiro 2011 | 13h43

Crédito: Universidade de Exeter - Rustinpc.

Crédito: Universidade de Exeter – Rustinpc.

Uma pesquisa inovadora da Universidade de Exeter conseguiu trilhar as rotas das tartarugas gigantes no Atlântico Sul por meio de um sistema de localização por satélites. O estudo, publicado na Proceedings of the Royal Society, lança luz sobre o comportamento migratório pouco conhecido desses animais, de acordo com o movimento de sua colônia de Gabão, na África Central, onde se reproduzem, até o Atlântico Sul, onde se alimentam.

Três rotas migratórias foram identificadas, incluindo uma de 7.563 quilômetros no Atlântico. Outra vias de grande distância também foram observadas no sudoeste e sudeste do oceano e na costa da África Central. As tartarugas vão permanecer nestas áreas por cerca de três a cinco anos para criar reservas e voltar ao Gabão para a reprodução.

“Apesar de uma extensa pesquisa realizada sobre tartarugas, ninguém realmente tinha certeza sobre os caminhos que elas tomavam no Atlântico Sul até então. O que nós mostramos é que existem três rotas de migração claras com o objetivo de alimentação após o acasalamento no Gabão, embora os números de adoção de cada estratégia possam variar a cada ano”, diz Matthew Witt, envolvido na pesquisa. “Nós não sabemos o que influencia essa escolha ainda, mas sabemos que são realmente viagens notáveis”.

As tartarugas tiveram uma queda vertiginosa nas últimas três décadas no oceano Pacífico, e a causa exata não é clara. O consumo do ovo e a pesca costeira têm sido identificados como fatores potenciais. No Atlântico, as populações são mais robustas, mas, devido a variações no número de locais de nidificação a cada ano, não se sabe ao certo se as tartarugas estão em declínio. O que especialistas querem agora é evitar o que aconteceu no Pacífico.

A pesquisa em questão seria vital para indicar as estratégias de conservação: “Todas as rotas que identificamos mostram as tartarugas em áreas de alto risco de pesca, por isso, há um perigo muito real para a população do Atlântico. Conhecer as rotas também nos ajudou a identificar 11 nações que deveriam estar envolvidas nos esforços de conservação, bem como aquelas com frotas de pesca de longa distância”, ressalta Brenda Godley. “Há uma preocupação de que as tartarugas que acompanhamos passem um longo tempo em alto-mar, onde é muito difícil implementar e gerenciar esforços de conservação, mas espero que esta pesquisa ajude a informar as futuras medidas para salvaguardar estas fantásticas criaturas”.