Salmonela pode ajudar a explicar rara doença inflamatória humana

Interpretação da infecção de roedores pela bactéria pode explicar, em partes, a ocorrência de linfohistiocitose hemofagocítica.

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26 Fevereiro 2010 | 18h34

Interpretação da infecção de roedores por salmonela pode explicar em partes a linfohistiocitose hemofagocítica.

Interpretação da infecção de roedores por salmonela pode explicar em partes a linfohistiocitose hemofagocítica.

Um novo estudo da Universidade do Colorado em Boulder, nos EUA, mostra que camundongos infectados com a bactéria salmonela desenvolvem sinais clínicos parecidos com uma incompreendida doença inflamatória humana: a linfohistiocitose hemofagocítica. Os resultados da pesquisa, publicados hoje na PLoS One, podem levar ao desenvolvimento de novas terapias contra o problema.

Também chamada de LHH, a linfohistiocitose hemofagocítica é uma doença inflamatória rara e potencialmente fatal (capaz de matar em 50 a 90% dos casos). O diagnóstico da doença é difícil, o que pode complicar o quadro clínico do paciente rapidamente. Transplantes da medula óssea podem ser necessários.

A doença se manifesta pela hiperatividade do sistema imunológico, tanto em pessoas com algum gene herdado (LHH primário), quanto em pessoas com nenhum defeito genético conhecido (LHH secundário). Ambas as formas são geralmente desencadeadas por infecções e,  na hereditária, normalmente atinge bebês e crianças muito jovens.

E a salmonela?

A salmonela é uma bactéria alimentar bastante conhecida, responsável por uma série de sintomas no trato gastrointestinal. Embora camundongos infectados com salmonela não apresentem cólicas e diarreia – como nos homens -, os animais foram induzidos a desenvolver uma síndrome comparável ao LHH secundário em seres humanos.

Os pesquisadores descobriram que roedores infectados com salmonela desenvolveram febre, aumento do baço, anemia, redução do número de plaquetas, elevados – e perigosos – níveis de uma proteína de armazenamento de ferro no sangue e sinais neurológicos. Ainda, células especializadas do sangue conhecidas como macrófagos hemofagocíticos acumularam em órgãos do corpo, inclusive na medula óssea.

A equipe já mostrou que camundongos infectados com salmonela tinham desenvolvido os macrófagos, que ingerem outros glóbulos brancos e vermelhos. Parte do estudo, agora, consiste em compreender como estes ratos infectados desenvolvem a anemia. A interpretação disso poderá auxiliar no entendimento dos sintomas de LHH e na elaboração de novas terapias.

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