Segredos da Fortaleza de Tel Qudadi são revelados

Escavada há mais de 70 anos, antiga fortaleza era datada do século 10 a.C. Agora, pesquisadores acreditam que foi erguida bem mais tarde.

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29 Dezembro 2010 | 12h23

Vista área do local onde a fortaleza foi encontrada. A seta indica o local exato. Crédito: Universidade de Tel Aviv.

Vista área do local onde a fortaleza foi encontrada. A seta indica o local exato. Crédito: Universidade de Tel Aviv.

Tel Qudadi, uma antiga fortaleza localizada no coração de Tel Aviv na boca do rio Yarkon foi primeiramente escavada há mais de 70 anos. Mas, os resultados finais do trabalho ainda não tinham sido publicados. Agora, pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, decifraram uma nova camada da história, indicando que há muito mais a aprender sobre o local – incluindo provas de que a região tenha tido conexões com a ilha grega de Lesbos.

“Os segredos da antiga fortaleza estão apenas começando a ser revelados”, diz Alexander Fantalkin. Anteriormente, acreditava-se que a fortaleza tinha sido estabelecida durante o século 10 a.C., a mando do rei Salomão com o intuito de proteger a abertura para o mar e evitar possíveis invasões inimigas contra os assentamentos no interior, dispostos ao longo do rio Yarkon. A criação da fortaleza em Tel Qudadi foi tida depois como prova da existência de uma política marítima desenvolvida nos dias da Monarquia Unida em Israel antiga.

Em outra reconstrução, os pesquisadores sugeriram que a fortaleza foi erguida em algum momento do século 9 a.C., sendo atribuída ao Reino de Israel. Agora, uma reavaliação cuidadosa das descobertas pela equipe da Universidade de Tel Aviv indica que o local não pode ser datado antes do final do século 8, muito mais tarde do que anteriormente sugerido.

Isso significa que a fortaleza, apesar de mantida pela população local, era parte integrante de uma rede que servia aos interesses do império assírio na região. Os assírios eram governantes de um poderoso império centrado na Mesopotâmia (atual Iraque), que também governaram Israel durante o fim do século 8 e boa parte do século 7 a.C.

Uma das descobertas mais importantes é um ânfora (grande jarro usado para transportas óleo ou vinho), proveniente da ilha grega de Lesbos. A existência do artefato, juntamente com uma reavaliação do mesmo por especialistas, ajudaram os pesquisadores a recalcular o cronograma de funcionamento do local. Surpreendentemente, ele parece ser o exemplo mais antigo de objetos semelhantes no Mediterrâneo.

Já que um único objeto não pode, por si só, provar a existência de um comércio antigo entre Israel e Lesbos, o achado pode dizer muito sobre o início da produção de ânfora na ilha, e tem implicações na compreensão de rotas de comércio entre as diferentes partes do Mediterrâneo. O que permance um mistério, de acordo com os pesquisadores, é a forma como a ânfora chegou a Tel Qudadi. É provável que tenha sido apresentada como parte de uma rota de comércio ocasional em torno do mar, possivelmente por um navio fenício.

Agora que o local pode ser datado a partir do final do século 8 a.C., a fortaleza de Tel Qudadi pode ser considerada uma importante estação intermediária na rota marítima entre o Egito e a Fenícia, servindo aos interesses assírios na costa levantina, em vez de uma parte do Reino de Israel.

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