Sensor detecta diabetes e câncer em segundos pela respiração e saliva

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21 Janeiro 2010 | 19h39

Sensor de glicose pode substituir kits que precisam picar o dedo do paciente para avaliação do sangue. Crédito: Ray Carson/University of Florida.

Sensor de glicose pode substituir kits que precisam picar o dedo do paciente para avaliação do sangue. Crédito: Ray Carson/University of Florida.

Um sensor minúsculo pode fornecer diagnósticos baratos e rápidos para muitas doenças. Engenheiros da Universidade da Flórida desenvolveram e testaram diferentes versões de um sensor para aplicações que vão desde o controle da glicose em diabéticos pela respiração até a detecção de câncer de mama pela saliva. Os primeiros resultados são promissores, justamente porque o sensor poderia ser produzido em grande escala por ser barato e já que a técnica é amplamente usada na fabricação de chips de celulares e outros dispositivos.

O sensor utiliza uma tecnologia já conhecida: integra o sensor em um sistema sem fio para detectar a glicose pelo ar exalado – uma forma não-invasiva que poderia substituir os kits usados por diabéticos que usam sangue para medição dos índices glicêmicos. Os experimentos derrubam a ideia de que níveis de glicose na respiração seriam insuficientes para uma avaliação precisa: o sensor utiliza um semicondutor que amplifica os sinais para uma leitura real do problema. Em vez de furar o dedo, o novo teste precisa apenas que a pessoa dê uma boa baforada.

Em outros experimentos, o sensor foi usado para detectar os níveis de Ph ou alcalinidade no ar – uma técnica que poderia ajudas as pessoas que sofrem de asma a melhor identificar e tratar suas crises, bem como calibrar a sensibilidade do sensor para a medição da glicose. Outras versões foram testadas para captar indicadores de câncer de mama na saliva, agentes infecciosos na água e outras substâncias.

Testes de sangue, de Ph e indicadores de mama já existem, mas na maioria das vezes são complexos, caros e demorados. A técnica usada até então para a medição do Ph na respiração do paciente, por exemplo, pede que a pessoa sopre num tubo durante 20 minutos, porque muito ar precisa ser coletado para avaliação. Com o novo sensor, apenas uma baforada é capaz de indicar o Ph ou a concentração de glicose no sangue em menos de cinco segundos.

Os pesquisadores explicam que a nova técnica funciona cruzando diferentes substâncias reativas com o semicondutor de nitreto de gálio, normalmente utilizado em amplificadores de celulares, equipamentos de transmissão de energia da rede e outros. No caso do sensor de câncer, a substância é um anticorpo sensível a certas proteínas que indicam a presença da doença. Se o alvo é a glicose, as moléculas reativas são compostas de nano partículas de óxido de zinco. Ocorrida a reação, há alteração nos dispositivos semicondutores que indicam determinado estado do organismo.