NÃO corra: homem foi feito para economizar energia quando caminha

Ser humano toca solo com o calcanhar; em seguida com a planta do pé, e depois com os dedos. Assim, ganha eficiência e consome pouca energia.

taniager

15 Fevereiro 2010 | 05h33

Segundo um novo estudo da Universidade de Utah, a economia de energia obtida ao tocar o solo primeiro com o calcanhar quando caminhamos é 53 % menor em relação aos animais que iniciam seu passo com a planta dos pés e de 83 % menor em comparação àqueles que primeiramente tocam o solo com os dedos. Imagens como esta foram usadas durante as análises do estudo. (Crédito: David Carrier, University of Utah.)

Segundo um novo estudo da Universidade de Utah, a economia de energia obtida ao tocar o solo primeiro com o calcanhar quando caminhamos é 53 % menor em relação aos animais que iniciam seu passo com a planta dos pés e de 83 % menor em comparação àqueles que primeiramente tocam o solo com os dedos. Imagens como esta foram usadas durante as análises do estudo. (Crédito: David Carrier, University of Utah.)

Quando caminha, o ser humano toca o solo primeiro com o calcanhar e em seguida com a planta do pé. Somente depois com os dedos. Desta forma, ele ganha eficiência ao andar e consome pouca energia. Outros grandes macacos, ursos e outros poucos animais também caminham seguindo esta sequência.

Segundo estudo da Universidade de Utah, nos EUA, a economia de energia ao se caminhar assim é de 53% em relação aos animais que iniciam seu passo com a planta dos pés, e de  83% se comparado aos que primeiramente tocam o solo com os dedos.

O biólogo David Carrier, autor do estudo, explica que o nosso calcanhar toca o solo no início de cada passo, enquanto na maioria dos mamíferos o calcanhar permanece elevado durante a caminhada e corrida.

A maioria dos mamíferos – cães, gatos, guaxinins – andam e correm por aí apoiando-se primeiro nas plantas dos seus pés. Ungulados, animais providos de cascos (como cavalos e cervos) correm e caminham com o primeiro apoio na ponta dos pés.

O estudo mostrou que a postura que faz encostar primeiro o calcanhar aumenta a economia de energia ao andar, mas não a economia ao correr.

O andar econômico teria ajudado os primeiros caçadores e coletores humanos a encontrar comida. Carrier acredita que, a resposta do porquê de os grandes macacos também andarem assim, pode ser a de que o traço evoluiu antes de nossos ancestrais desceram das árvores.

Mas, como os grandes símios não caminham longas distâncias, a economia de energia ao caminhar provavelmente não explica essa postura de pé, mesmo que ela nos ajude a caminhar economicamente. O biólogo especula que esta postura pode ser vantajosa durante a luta, pois aumenta a estabilidade e aplica mais torque ao chão para torcer, empurrar e puxar. Aumenta também a agilidade em manobras de giro rápido durante os encontros agressivos.

“O importante é que somos notáveis caminhantes econômicos”, disse Carrier. “Nós não somos corredores eficientes. Na verdade, nós consumimos mais energia para funcionar do que o mamífero típico do nosso tamanho. Mas, somos caminhantes econômicos excepcionais.”

A economia de energia ao andar pode ser atribuída à estrutura incomum do nosso pé. É por causa desta estrutura que colocamos o pé inteiro no solo quando andamos e temos um salto grande. Nosso dedo grande do pé é tão longo quanto os nossos outros dedos e é muito mais robusto. Nosso dedo grande do pé também é paralelo ao seu dedo vizinho. Estas características são distintas entre os macacos, e fornecem a base mecânica para o andar econômico. “Nenhum pé de outro primata poderia caber em sapatos humanos”, argumenta Carrier.