Simulação mostra como o Halley pode ter se formado em outro sistema solar

Teoria da nuvem de Oort já é consenso entre astrônomos. Agora, modelo computacional dá mais uma prova de como Sol capturou cometas.

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10 Junho 2010 | 16h16

O Halley é um cometa brilhante de período intermediário que retorna às regiões interiores do sistema solar a cada 76 anos, aproximadamente. Crédito: Wikipedia.

O Halley é um cometa brilhante de período intermediário que retorna às regiões interiores do sistema solar a cada 76 anos, aproximadamente. Crédito: Wikipedia.

Muitos dos cometas conhecidos por nós, incluindo o famoso Halley, podem ter nascido em órbitas ao redor de outras estrelas. Um estudo conduzido por uma equipe internacional de astrônomos mostra que o que podemos ver olhando o céu durante uma noite estrelada pode ser material proveniente de outro sistema solar.

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores usaram simulações de computador, mostrando que o Sol pode ter capturado pequenos corpos gelados de suas estrelas irmãs durante seu nascimento. Isso teria criado um “reservatório” de cometas.

Hoje, nenhuma estrela pretende ofuscar o brilho do Sol. Mas, há muito tempo atrás, é possível que esta grande bola de fogo tenha se formado a partir de um aglomerado (cluster) compacto contendo centenas de estrelas – incorporadas em uma densa nuvem de gás. Cada uma delas pode ter formado um grande número de pequenos corpos gelados (os cometas) em um disco, a partir do qual os planetas se formaram. A maioria destes cometas estava fora da área gravitacional do sistema planetário recém-formado, tornando-se objetos de livre flutuação do aglomerado.


Finalizado o cluster, com as jovens estrelas expelindo seus gases, os cometas foram capturados gravitacionalmente. “O processo de captura é surpreendentemente eficiente e leva à excitante possibilidade de que a nuvem contém uma mistura com amostras de materiais de um grande número de estrelas irmãs do Sol”, diz Martin Duncan, envolvido no trabalho.

A prova disso seria a própria nuvem de Oort, uma faixa hipotética de cometas ao redor do Sol, que permaneceu um enigma por quase 60 anos. Embora a teoria proposta pelos astrônomos não seja nova, este é o primeiro trabalho que consegue demonstrar como isso pode ter acontecido em uma simulação computadorizada detalhada.

Nuvem de Oort

A nuvem de Oort é uma nuvem esférica hipotética (até agora, ninguém conseguiu medir o seu tamanho nem supor o número de objetos existentes ali, embora seja consenso entre astrônomos de que a nuvem realmente exista – principalmente pela constatação de objetos no Cinturão de Kuiper, outro fenômeno transnetuniano próximo) de cometas, localizada a quase um ano-luz do Sol.

A parte externa desta nuvem define o limite gravitacional do Sistema Solar. Os seus objetos são compostos por gelo, amônia e metano e apenas quatro objetos transnetunianos conhecidos são considerados “possíveis” membros da parte interna da nuvem de Oort.

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